Br em Série: A fórmula do sucesso: Cine holliúdy traz a comicidade nordestina e homenagem ao cinema e A TV

Parece que apesar do preconceito e descaso com o Nordeste, a cultura da região ainda é receita de sucesso para as narrativas brasileiras. A Rede Globo demonstra ter entendido isso há algum tempo, pois vira e mexe apresenta narrativas com esse conteúdo, desde novelas, filmes a, mais recentemente, seriados (muitos desses produtos adaptados de realizações regionais). Assim, fomos apresentados a Cine Holliúdy,  trama de dez episódios que trouxe de volta à TV aberta o humor nordestino, mais especificamente cearense. Baseada no longa homônimo de sucesso do cinema nacional, assinado também pelo diretor Halder Gomes, a produção retorna com o personagem Francisgleydisson (Edmilson Filho) e outros atores, para a fictícia Pitombas, cidadezinha do interior do Ceará, onde esse “cabra” sonhador e apaixonado por cinema luta para manter viva a sétima arte que está ameaçada com a chegada da TV.

Tanto a série quanto o filme tem a mesma premissa de homenagear as salas de cinema que movimentavam as cidades do interior, mas que hoje, já quase não existem. Porém, nessa nova roupagem, fica forte a metalinguagem com relação a TV. A narrativa, como a abertura (belíssima e cantada por Elba Ramalho e Falcão) coloca, brinca com essa relação: Qual a diferença da TV para o cinema? Parece um pergunta retórica já que a série reverência a TV e suas próprias produções (novelas da Globo) e o cinema (em especial o cinema regional). O tom nostálgico e a homenagem singela é um trunfo do seriado.

 

 

Para quem acompanhou os filmes, pode ficar tranquilo, que apesar do “mão da Globo” visível na produção, Cine Holliúdy tem uma história nova, mostrando o mesmo Francisgleydisson numa versão, anterior a dos dois filmes da franquia, embora ainda dedicado ao cinema.  Francis aqui vive em Pitombas, onde toca um cinema fixo (Cine Holliúdy) nos anos 1970. O problema surge com a chegada da nova mulher do prefeito, a paulista Socorro (Heloísa Perissé), e sua filha, Marylin (Letícia Colin), que o convencem a comprar uma televisão, a primeira da cidade.

O protagonista logo se encanta pela “platinada” e com nome de “estrela do cinema”, Marylin, e daí surge o romance entre “tapas e beijos” entre eles. A graciosidade e determinação da moça da cidade, em contraponto à ingenuidade e esperteza de Francis dão autenticidade ao romance. Ao longo dos episódios, Francis, seu fiel escudeiro Munízio (Haroldo Guimarães) e Marylin decidem criar seus próprios filmes e reconquistar o público.

 

 

Ao redor deles, atuações da melhor qualidade, como o Prefeito Olegário (Matheus Nachtergaele), que prova mais uma vez o respeito ao interpretar um nordestino, seu assessor (ou capacho) Jujuba (Gustavo Falcão), a primeira-dama Socorro (Heloísa Périssé de volta às telas), e os talentos regionais que fizeram a diferença, como Carri Costa (Lindoso), Solange Teixeira (Belinha) e Frank Menezes (Delegado Nervoso). E é claro, não poderia se deixar de comentar da primorosa narração de Falcão,que também atua como Cego Isaías, com seu sotaque forte dá um aspecto de cordel a narrativa .

 

Ode ao cinema e ao interior nordestino

 

Cine Holliúdy une o bom dos dois mundo: o ritmo rápido (em torno de 25 min), com arcos que se fecham por episódio (trama circular) e que não se enrolam, estilo dos filmes clássicos, com a narrativa simplória, sem tramas muito complexas, típico das novelas. Um história para se distrair, rir e apaixonar pelos personagens.

Os  episódios temáticos são mais uma forma de homenagear o cinema. Em sua saga de herói, Francis lida com situações de filmes de ficção científica, de ação, vampiro, faroeste e até os filmes de luta. Cada aventura dessa vira um filme que ele mesmo produz, e que faz o cinema resistir a TV, pois, em suas palavras, “o povo quer ver filmes com gente do Ceará, e falado em Cearense”.

 

 

Apesar desse clima de descontração, a série não escapa do estilo Globo, com personagens e situações penando para o caricato. A a função de cada personagem é típica e fica explícita logo nas primeiras cenas,  o malandro, o político corrupto, a garota moderna da capital, a fofoqueira, a dondoca, o bobalhão. Porém, a boa atuação, os diálogos, cenários e figurinos caprichados tiram a série do lugar estereotipado e fazem o público se conectar rapidamente.

De um filme de baixo orçamento, que levou mais de 480 mil pessoas aos cinemas, surge uma série, que seguindo o sucesso de produções semelhantes, como Auto da Compadecida e a novela Cordel Encantado, se consagra como mais uma comédia certeira da Globo nas noites de terça-feira,  faixa que teve outras comédias cheias de qualidades, como Tapas & Beijos e Mister Brau. Apesar do horário, Cine Holliúdy exibe um Nordeste colorido, divertido e cheio de aventuras e fantasias que todo mundo pode assistir. O bom resultado trouxe bons ventos, depois do segundo filmes, agora foi confirmada a sua segunda temporada da serie.

 

http://www.adorocinema.com/series/serie-23202/video-19561985/

Terror em Série: O Escolhido – Homem de Fé, Mulher com a Razão

O cinema brasileiro de terror vem crescendo cada vez mais e nomes como Gabriela Amaral Almeida, Rodrigo Aragão e Juliana Rojas, trazem uma diversidade e características próprias a esses filmes. Produtos de gênero têm cada vez mais espaço e há um crescimento de produção e distribuição.

O público nacional é um dos públicos que mais consome terror no mundo. Mas, ainda existe certo preconceito de muitos espectadores para assistir produtos que lidam com o fantástico e O escolhido traz características que podem ajudar a reforçar essa crença de falta de qualidade nos filmes e séries de gênero brasileiros.

 

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A nova série da Netflix traz uma premissa interessante: médicos tentam extinguir o vírus zika do Pantanal, porém, no caminho, acabam achando uma estranha cidade onde ninguém fica doente, ninguém morre. Parece um bom argumento para ser vendido num pitching, por exemplo. Uma história que quando alguém conta tem sim certo impacto. Narrativamente, fora essa boa ideia, pouco caminha positivamente.

A questão principal de O escolhido são os diálogos. Textos engessados, ditos de maneira robótica, dificilmente conseguirão criar uma conexão com o espectador. Cenas inteiras para explicar acontecimentos, como funciona a cura feita pelo Escolhido. A maneira como a progressão dos fatos acontecem são dispensáveis, isso porque muito do mistério é desnecessário já que de pronto se entende o que está acontecendo na história. O fruto dessa tentativa de criar certo suspense são momentos em que o roteiro busca confundir o espectador, colocar obstáculos para ele demorar de chegar em alguma conclusão.

 

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Então, a série termina sendo um amontoado de explicações que são sempre revogadas ou colocadas em dúvida, mais atuações que despertam pouca crença na mitologia da série. Além disso, as personagens são mal desenvolvidas, o arco dramático de cada uma delas não consegue nem provocar empatia do espectador, nem deixar claro como as mesmas pensam e/ou se sentem em relação aos acontecimentos. Os habitantes da cidade dizem somente coisas clichês, frases de efeito. Os médicos, um pouco mais elaborados, tomam atitudes que movem pouco a trama para frente e são bastante previsíveis. Já o escolhido, é o rei das frases de efeito e diz suas falas de maneira empolada, cheio de gestos, mas, não imprime nuances em sua interpretação.

O seriado é bem filmado e tem seus bons momentos visuais. A escolha de enquadramentos consegue traduzir bem o olhar da protagonista, Dra. Lúcia, e a câmera escolhe bem o que mostrar durante as cenas onde o espectador entende aquele universo da mesma maneira que a médica. Talvez se a série focasse menos em diálogos e mostrasse mais momentos de percepção do fanatismo sem muitas explicações, deixando espaço para o público elucubrar, teríamos uma obra de mais qualidade. O fim da temporada deixa um cliffhanger interessante, se houver mais episódios a expectativa é de uma melhora, até porque há verdadeiro potencial para se explorar.

 

Crítica: Terceira parte de La Casa de Papel é morna e um grande déjà vu

por Enoe Lopes Pontes

 

Depois de um hiato de quase dois anos, chega ao catálogo da Netflix a terceira parte de La Casa de Papel. Logo no início, é possível notar como o valor de produção cresceu. A percepção pôde ser confirmada pelo criador da série, Álex Pina (Vis a Vis), afirmou, em entrevista para o G1, que não havia limites de gastos por episódio. Assim, o espectador pode encontrar uma roupagem mais sofisticada imageticamente. Mais ângulos, mais locações, efeitos, quantidade de atores, figurantes e equipe técnica envolvida na obra etc.

Nesta parte, é inegável afirmar o avanço do seriado, em comparação com sua temporada anterior. Nos oitos novos episódios, com a maior fatia dirigida por Jésus Colmar (Vis a Vis), a câmera revela um clima de mais tensão e ação, com explosões intensas, revolta de uma multidão e perseguição de carro, que inclui capturas áreas da imagem. No entanto, apesar deste crescimento técnico, La Casa de Papel continua pecando em alguns mesmos aspectos vistos em 2017 e em questões outras.

 

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Primeiramente, existe um incomodo que são as repetições narrativas em relação ao assalto anterior. Situações  semelhantes são postas, apenas com mudanças de local e detalhes. A personagem Palermo (Rodrigo de la Serna), por exemplo, entra como um substituto de Berlín (Pedro Alonso), sendo o machista asqueroso e com textos que poderiam ter sido facilmente ditos pela personagem de Alonso. Este é apenas um caso de tantos outros que ocorrem. As cenas de cantoria, as discussões, os conflitos entre as figuras centrais da trama, tudo remete ao roubo da Casa da Moeda.

A sensação é de que os produtores queriam repetir seu sucesso e criar momentos memoráveis o tempo inteiro e isto faz com que o ritmo não se equilibre. As cenas de ação e os plots twists acabam tendo seus impactos reduzidos pela certeza dos próximos acontecimentos mostrados na tela, já que o público viu as mesmas estratégias, os mesmos problemas e resoluções anteriormente. Mas, existe o ponto alto deste fator e não siga para os próximo parágrafos se ainda não assistiu a terceira parte do enredo.

 

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Em um dado momento, nota-se que o Professor (Álvaro Morte) finalmente tem um ponto fraco e que ele é a sua namorada, Raquel Murillo/Lisboa (Itziar Ituño). Numa sequência que busca ser tensa, por seus cortes e música incidental, fica subentendido que a ex-inspetora Murillo foi executada. Quando o fato parece ter ocorrido, fica a reflexão de que o seriado parece tentar discutir a misoginia e trazer todo um discurso progressista, mas coloca a figura feminina mais forte da narrativa inteira para ser apenas o interesse amoroso do protagonista e eliminá-la seria o elemento que o deixaria mais forte e poderoso.

Como se não bastasse esta visão antiquada, fica-se sabido, minutos depois, que Lisboa não faleceu, está viva, no caminhão da polícia. Ou seja, além dela ser a isca para o homem que assume o comando de tudo, dela ter sido fraca e de pouca inteligência para escapar com suas escolhas, a obra não tem coragem de eliminar a personagem, tomando um caminho óbvio e sem graça, porque em todo o percurso que fez, jamais retirou personas mais importantes, sempre as deixando em grandes cliffhangers, para depois salvá-las.

 

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No final das contas, é perceptível que a discussão feminista é rasa, apenas de enfeite para demonstrar uma imagem positiva, mas que mantém o patriarcado incrustado completamente nos diálogos e ações, deixando as mulheres como mais fracas (Tóquio bêbada porque foi deixada por Rio; Nairóbi com um tiro porque seu instinto maternal foi mais forte do que ela e Raquel na prisão por estar apaixonada). Os rapazes ficam, assim, no comando de toda situação e retém todo poder. Não à toa, todos os episódios são comandados por diretores masculinos e os roteiristas são quase todos…? Homens.

No resultado geral, La Casa de Papel entrega um resultado mediano, nada além da já esperada estrutura feita para criar frases de efeito para internet, memes e posts que podem virar textão,  mas vazio por dentro. As personagens não ganham complexidades e a terceira parte é uma cópia das anteriores, criando tédio durante sua exibição.

 

Comédia em Série: Barry: E se Breaking Bad fosse engraçada?

Barry é uma série da HBO, lançada em 2018, com a sua terceira temporada confirmada para 2020. A produção acompanha Barry Berkman (Bill Hader), um ex-militar que foi à guerra do Afeganistão e, após voltar aos Estados Unidos, é recebido por um amigo de seu pai, Monroe Fuches (Stephen Root), um oportunista que acaba transformando o protagonista em um assassino de aluguel. Fuches é quem arranja as contratações dele, cuja única condição é que mate apenas pessoas ruins. (mais…)

Críticas: Segunda Temporada de “Dark” é mais sólida e intensa

 

Por Enoe Lopes Pontes

 

Depois de uma espera de quase dois anos, a Netflix disponibilizou a segunda temporada da série Dark. Realizada na Alemanha, a produção chega neste novo ano com mais fôlego, um enredo menos óbvio do que a da sua antecessora e com mais fios para compor a sua teia de Ariadne. Após o cliffhanger do 1×10, o público descobre um pouco das consequências das ações de Jonas (Louis Hofmann) no “passado”, “presente” e no “futuro”. Com isto posto, o jovem precisa compreender quais os melhores passos seguir para evitar uma tragédia que está por vir.

Aqui, um dos maiores ganhos é a forma como o protagonista continua a ser o fio condutor da trama, mas agora deixando que as outras histórias se desenvolvam com mais profundidade e sob outras óticas além da sua. Não apenas as viagens no tempo, mas as decisões e suas consequências são postas nas mãos de todos os indivíduos importantes da trama, mas o gancho nunca deixa de ser a personagem principal. Assim, as escolhas de Baran bo Odar (Crimes na Madrugada), e dos outros roteiristas que assinam com ele, traz um equilíbrio e maiores surpresas para o desenvolver dos atos postos em cada sequência.

 

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O jogo de cores no figurino – criado por uma equipe de mais de dez pessoas – e o de luz e sombra na fotografia, feita por Nikolaus Summerer (Invasores: Nenhum sistema está salvo), continuam sendo marcas de linguagem selecionadas para ambientar o espectador em que período os fatos narrados estão acontecendo. Contudo,  sem nunca perder os tons neutros, principalmente bege e marrom, que instalam sensações ambíguas que vão de uma ambiente depressivo até um local caseiro, que inspira conforto e segurança.

A complexidade de Dark também está na direção, nos movimentos de câmera que revelam múltiplas visões de um mesmo fato, revelado apenas depois que o público descobre quem está envolvido na situação. Outro recurso bem utilizado é a câmera subjetiva que instaura um clima de tensão e dúvida, até que o narrador seja evidenciado, com uma plano médio ou até um close, criando uma espécie de cumplicidade com a plateia. Nestes instantes, sempre fica estabelecida uma incerteza se um plot twist virá ou não. Além disso, mais uma camada de informação é colocada, podendo instigar quem assiste e amarrando acontecimentos prévios.

 

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No entanto, apesar de conseguir elevar a qualidade em relação ao primeiro ano, os novos episódios pecam em não irem tão além do que já tinha sido mostrado. Apesar dos reforços em contar as trajetórias dos indivíduos mostrados na tela, dos fatos serem esmiuçados e duas revelações serem contadas – uma muito impactante e outra nem tanto – a finale deixa certo gosto de engano. Isto porque o cliffhanger é perigoso para a qualidade do desfecho do seriado – outras ficções já tentaram seguir por este caminho e falharam, ou não – e porque nenhum elemento diferente é posto. As ações prosseguem e as vidas permanecem. Resta apenas descobrir se toda a premissa original irá levar a história para algum lugar.

 

Crítica: Segunda temporada de Samantha! é mais divertida e intensa que anterior

por Enoe Lopes Pontes

 

Neste mês, a Netflix, como de praxe, disponibilizou o conteúdo inteiro do segundo ano da série nacional Samantha! Com sete episódios, a produção conseguiu crescer por apresentar um equilíbrio maior em seu ritmo. Isto, porque a narrativa mesclou os tempos de cena de cada conflito com uma atmosfera dos sentimentos das pessoas mostradas na tela, seus desejos secreto e sensações pessoais. E é aqui que está o grande ganho do seriado! Além de ter as gags e situações divertidas esperadas de Samantha (Emanuelle Araújo), Dodói (Douglas Silva), Cindy (Sabrina Nonata) e Brandon (Cauã Gonçalves), o público descobre também questões do íntimo deles, principalmente da protagonista. Talvez, tenha sido até uma estratégia positiva primeiro apresentar arquétipos de figuras típicas do imaginário brasileiro, como a estrela mirim dos anos 1980 ou o jogador de futebol enrolado, para depois ir mais a fundo nos detalhes sobre elas.

Os roteiristas (Paula Knudsen, Felipe Braga etc) vão colocando pinceladas de informação, lentamente. O espectador vai tendo contanto com a trajetória da “mocinha” e seus problemas na infância. Aos poucos, é possível montar o quebra-cabeça com as peças dadas por eles. Na história, Samantha começa a traçar seu caminho para crescer verdadeiramente e fazer papéis mais sérios, além de buscar ser boa mãe também. Este ápice acontece no 2×06 quando, finalmente, é explicada a relação da artista com a TV e pouco de suas origens.

 

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Araújo traz alguns detalhes em seus olhares que demonstram este amadurecimento e coloca até pequenas modificações de postura corporal, em momentos mais profundos. Contudo, todas as marcas que fazem parte de sua personalidade anteriormente continuam presentes, não se perdem. Assim como Samantha; Dodói, Cindy e Brandon recebem arcos com mais complexidade. Estas são de menor grau, é bem verdade, mas ganham. Porém, os atores não acrescentaram nada de diferente. Não que isto seja um ponto muito negativo. Contudo, poderia ter acontecido um desenvolvimento mais forte na atuação.

Uma possibilidade seria um trabalho do corpo que mostrasse um Dodói com uma pitada de sisudo, porque começou a cursar a faculdade de Direito. Ou, Cindy – que entrou, de fato, na adolescência – e Brandon – que decidiu aceitar que é mesmo uma criança -, poderiam trazer um pesar e uma leveza nas suas interpretações ou qualquer nuance de mudança. Afinal, eles passaram e estão passando por coisas que os afetaram, pelo menos isto aparece no texto que eles dizem, que confirma emoções e decisões novas. Mas, este fator pode ser uma falta de atenção e delicadeza da direção também, que colocou o foco maior na protagonista.

 

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Contudo, esse fato não compromete e coisas como não ter muito filler chamam mais atenção. Todos os acontecimentos são muitos justinhos dentro da trama. Samantha precisa crescer! Este é seu objetivo e toda a narrativa deste ano foca nisso, juntamente com subtramas que, ao invés de atrapalhar, ajudam a levantar o enredo principal. O relacionamento de mãe e filha entre Samantha e Cindy, a nova carreira de Dodói e os medos de Brandon, tudo isso fomenta o nó central, o desenlace e o cliffhanger do final.

Ainda que existam pequenas questões como dicção dass crianças e coadjuvantes de personalidade chapada, Samantha! se superou. A dinâmica entre o elenco continua a funcionar e camadas de complexidade foram colocadas, mostrando que a antiga artista mirim é muito mais do que quem assiste esperava, ela é uma OR…

 

 

Plano em Série: Sharp Objects – Um Olhar Sobre a Cinematografia

Desde o sucesso de Game Of Thrones (2011) a HBO tem investido em conteúdos originais cada vez mais sofisticados. Este também é o caso da série Sharp Objects (Objetos Cortantes, em português). Lançada em 2018, pelo canal fechado e estrelada por Amy Adams, a criação é assinada por Marti Noxon, uma produtora influente no universo seriado estadunidense. Noxon tem no seu currículo a produção executiva de Mad Men, Grey’s Anatomy, Prision Break e Buffy, a caça vampiros, por exemplo. O diretor dos oito episódios é o canadense Jean-Marc Vallée, o que mantém uma unidade interessante na mini-série, contrariando o modismo (ora produtivo, ora cansativo) de um diretor por episódio. Vallée já vinha da competente direção de Big Little Lies, outra mini-série premiada da HBO.

Sharp Objects conta a história da repórter Camille (Adams), jovem que precisa retornar à sua cidade natal para escrever uma matéria sobre o desaparecimento de uma garota. Em uma relação completamente instável com sua mãe, Adora (Patricia Clarkson), e sua meia-irmã, Amma (Eliza Scanlen), Camille vive o conflito do desaparecimento alheio no vórtice de seus problemas familiares de forma a intensificar a sua condição psicológica – ela sofre de auto-mutilação.

 

 

Para construir a personalidade e os displays comportamentais de Camille, a dupla de diretores de fotografia Ronald Plante e Yves Bélanger assumem estratégias eficientes assim como o time de montadores liderados por Jean-Marc Vallée. Aqui vale a pena uma dedicação aos princípios da cinematografia utilizados por Plante e Bélanger para compreender um pouco da engenhosidade dos episódios centrados em uma linguagem de suspense. A câmera majoritariamente utilizada foi uma Arri Alexa Mini e um conjunto de lentes Prime Arri Zeiss – e isso significa que a equipe conseguia um aspecto imagético mais escuro (subexposto) com segurança, além de escolher uma espécie de textura na imagem mais próxima da realidade, evitando luzes artificiais e fugindo da perfeição. Assumir essa estrutura imagética como linguagem facilitou, inclusive, o tratamento de colorização final, já que a cinematografia teve poucas exigências quanto as diferenças na luminosidade – mas não dispensou o rigor na aplicação do LUT (Look Up Table) que uniformizou o visual de toda a série.

As sequências externas foram filmadas com prioridade para a luz natural. Neste sentido, é possível perceber a diferença na intensidade da luz a depender do episódio. Há realidade em assumir que os dias e as nuvens interferem nos tons de pele e nos reflexos dos objetos, por exemplo. A luz era proveniente de janelas, sempre presentes na casa de Adora e de práticos (objetos de cena que projetam luz, como abajures, lustres, velas, lâmpadas, tubos fluorescentes, letreiros luminosos, etc.). Essa composição influencia absolutamente na relação que Camille tem com o espaço, como ela transita por ele, se relaciona com a sua dependência com o álcool e também com sua família. E para além das definições de luz, há um investimento na estratégia de utilização da câmera – ela está sempre na mão e sempre com Camille. A câmera não se distancia da protagonista mesmo durante os flashbacks frequentes ou quando ela visita memórias inconscientes, subjetivamente é possível ver o olhar de Camille e objetivamente é possível ver quase que através dela (há um acento no famoso POV – Point of View). Neste sentido há uma decupagem livre, acompanhando os desejos da personagem e suas ações de forma sensível e corajosa.

 

E a Arri Alexa Mini está na mão. Ela trepida, se mexe, se desestabiliza sempre. Assim como Camille está destroçada em reviver memórias difíceis, a câmera conversa com a protagonista ora como se fosse ela mesma, ora como se assumisse o seu alterego. Um trabalho impreciso e por isso precioso, sufocando a intimidade de Camille, arrebatando suas inseguranças e vivendo com ela todo o suspense que Sharp Objects deseja sustentar.

**Marina Lordelo é fotógrafa, crítica do audiovisual, pesquisadora e diretora de fotografia.

Terror em Série – O horror na era pós Trump

Após seis temporadas lidando com temas ligados ao oculto e buscando metáforas entre o sobrenatural e os conflitos da convivência humana, o seriado criado por Ryan Murphy mergulha numa esfera mais realista e decide explorar o horror em sua mais pura forma, o horror da realidade. Nesta penúltima edição do nosso especial American Horror Story, chegamos na season do terror após a eleição de Donald Trump, chegamos em Cult.

A temporada começa estabelecendo quem são as personagens, mostrando um cenário polarizado, reflexo do período das eleições nos Estados Unidos. O primeiro episódio já começa revelando um clima de tensão e coloca em destaque ignorância x conhecimento, demonstrando o ódio daqueles que acreditam que estão perdendo muito ao ter que dividirem seus privilégios.

 

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Vemos na temporada essa dualidade o tempo inteiro. A protagonista, Ally (Sarah Paulson), tem estudo formal, tem consciência política, mas é mulher e lésbica, alguém que lutou muito por suas conquistas e que, por sua batalha e de outras pessoas, tem uma vida confortável, um casamento com outra mulher e um filho adotado. Devido ao seu passado, apesar de ter conforto financeiro e estabilidade, possui diversas fobias.

Já seu antagonista, é um homem branco, que, em sua primeira cena, comemora a eleição de Trump cheio de salgadinho laranja nas mãos, mostrando esse homem que procura culpar o outro pela sua falta de sucesso, como ele mesmo não pudesse ser responsabilizado pelos problemas que causou a si mesmo. A construção dessa dualidade é bem realizada e estabelecida no começo da série, contextualizando bem o enredo e os possíveis encaminhamentos.

 

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Murphy também sabe que o público, depois de sete temporadas, já está treinado e consciente de sua linguagem. Logo, ele tenta jogar com os códigos já entendidos por seus fãs. Os enquadramentos mais fechados nas cenas de Ally, traduzem esse sufocamento da personagem, mas também, deixa o espectador mais confuso sobre a sanidade de sua protagonista. Todos as conspirações, elementos sobrenaturais, coisas estranhas que sempre foram realidade na série, podem nessa temporada ser somente ilusão e a linguagem reforça essa impressão.

A primeira metade da temporada sabe conectar suas personagens, sabe segurar a tensão dos acontecimentos e une trama e visual numa viagem sobre o horror cotidiano, sobre o perigo iminente que são as pessoas ao redor, as pessoas de bem. O Culto, termina sendo o menos forte de certa maneira, porque suas cenas são desnecessariamente alegóricas e quando começamos a ver coisas demais, perde-se a metáfora do inimigo invisível, do olhar ao redor e se perguntar: “será que a aquele cara na outra rua votou em Trump? E se votou, do que ele é capaz?

 

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Por isso, a segunda parte da série se perde um pouco, ainda que mantenha certa qualidade, porque ao invés de se manter criticando um aglomerado de pessoas ególatras, capazes de fazerem mal para toda humanidade para manter o que as fazem felizes, sem pensar nas consequências, a série parte para se focar na vilania de Kai e relativizando todos os erros das outras personagens, tão sedenta por reviravoltas que termina quebrando um pouco o pacto com o espectador, quando o tempo inteiro o confunde com as intenções de suas personagens.

O maior louro de Cult é traduzir em imagens o que está na mente de cada eleitor de Hilary, de cada minoria social que vê a onda conservadora vindo como um tsunami desesperado para apaga-los da humanidade e também a mensagem final de que, quem sofre a vida inteira sem privilégios tem uma única vantagem, a vantagem de saber lutar, de saber esperar calmamente o contra- ataque, deixando uma mensagem de esperança para seu público.

 

 

**Hilda Lopes Pontes é cineasta e crítica cinematográfica. Formada em Direção Teatral e Mestre em Artes Cênicas, pela Universidade Federal da Bahia, hoje, ela é sócia-fundadora da Olho de Vidro Produções, empresa baiana de audiovisual.

Especial Ships Femslash nas Séries

Por Enoe Lopes Pontes

Você sabe o que é ship femslash? Sim, isso mesmo! São os casais LGBTQ+ que envolvem mulheres!!! Em algumas histórias, eles aparecem em maior ou menor grau, de forma satisfatória ou não. A conversa é complexa, mas existem formas de começar a descobrir o melhor caminho para representar estes pares na ficção. No caso deste site, na séries. E para você que vê as tramas quase prendendo a respiração, esperando a representatividade aparecer e berra quando isso acontece, este é um post especial sobre o tema e acabou de chegar! Então, pegue a sua pipoca, se ajeite na cadeira e foca no texto do Série a Sério! Hoje, vamos elencar os melhores casais lésbicos da TV!!!

Os critérios de análise passaram por plot da dupla, desenvolvimento da história, se é fanon ou canon – ninguém quer ser enganado aqui, né, queridxs? -, como os autores tratam o casal e o seu fandom e, claro, os shippers!!!! Tudo isso para trazer uma seleção equilibrada, tendo coração e razão envolvidos. Afinal, a importância destes ships está também ligada ao que eles representam! E para a experiência ser completa, no final você confere um pequeno glossário com essas palavrinhas da internet, maravilhosas, que são usadas para descrever este e outros universos!

Mas, nem tudo são flores! Infelizmente, quem acompanha narrativas ficcionais, seja série, filme, livro etc, sabe que a existem algumas probabilidades negativas quando o assunto é a representação de ships LGBTQ+. Opções preocupantes: ser Queerbaiting e ficar no fanon para sempre ou alguém do casal morrer. Por esta razão, a forma como o romance femlash aconteceu e se desenvolveu no seriado foi o foco do texto. Ah, obviamente, a fofura também foi contabilizada!

 

Confira!

 

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5 – Doccubus – Formado por Bo (Anna Silk) e a Dra. Lauren (Zoie Palmer), o ship fazia parte da série Lost Girl. Com a protagonista fazendo parte deste casal, o seriado conseguia trazer plots e tensões interessantes para a dupla, tratando-as como um par romântico efetivo, sem tornar o fato de elas serem duas mulheres uma preocupação para a estabilidade entre elas.

 

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4 – Cophine – vivido pelas personagens Cosima Niehaus (Tatiana Maslany) e Delphine Cormier (Évelyne Brochu), o par femslash vivia numa montanha russa de emoções. Mas, isso não estava relacionado à sexualidade das duas – o que já são 100 pontos para a Grifinória!!! O importante na tela, quando o assunto era o romance do casal, eram as dificuldades e felicidades que elas poderiam ter dentro da narrativa. Os conflitos e cliffhangers eram justificados pela história, fomentavam a complexidade do envolvimento delas e ninguém precisou morrer no final.

 

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3 – Brittana – A série Glee (2009-2015) ficou conhecida como uma produção que valorizava múltiplas etnias, sexualidades e identidades de gênero. Neste universo, existia um casal de meninas que foi ganhando espaço dentro do enredo, ao longo das temporadas do seriado. Brittany Pierce e Santana Lopez eram duas líderes de torcida que possuíam uma relação escondida. Contudo, a escola inteira acaba descobrindo o caso das duas e, processualmente, elas vão se assumindo. O desenvolvimento de como Brittana vira um ship canon, os problemas enfrentados no colégio, a passagem pra faculdade, até a chegada na vida adulta e o casamento delas completam uma espécie de ciclo. A sensação que o espectador pode ter é de completude e realidade. O maior ganho aqui é ver o cotidiano de Santana e Britany. Coisas simples e bobas de casal mesmo!

 

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2 – Calzona – Abaixa que é tiro! Quem assiste Grey’s Anatomy (2004-) já está acostumado com os intensos e contínuos plots twists, as tragédias, perdas e ganhos dentro da trama. Ainda com todo esse misto de emoções e tensões, o casal Callie (Sara Ramirez) e Arizona (Jessica Capshaw) é um dos maiores ships que a televisão já viu. Por quê? As duas são médicas no mesmo hospital,isso faz com que dividam interesses semelhantes, rotinas intensas e se entendem dentro dessa dinâmica. Além disso, o par é mostrado de forma séria. Elas casam, formam uma família e mostram para o público os desejos e realizações quando duas mulheres se apaixonam e se unem.

 

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1 – Stef e Lena – Em 2013, a emissora Freeform lançou uma série como nunca antes vista! Com sensibilidade, a produção mostrava a rotina de duas esposas que possuíam uma família enorme, cheia de filhos. Como a maioria deles era adotivo, existiam muitas tensões com os tramites e pais biológicos. Contudo, o foco maior eram o estresses do cotidiano mesmo. Stef (Teri Polo) é uma policial e Lena (Sherri Saum) professora e coordenadora de colégio. As duas, juntas, fazem toda uma dinâmica “good cop/bad cop”, que acaba sendo muito fofo! Exatamente como toda família, sempre existe umx mãe/pai mais tranquilo e outrx mais rígido. E são justamente estes detalhes da rotina familiar que encantam no seriado. A forma como elas criam as crianças, se relacionam entre si e têm o olhar apurado para os entes queridos e para o mundo toca o coração e fazem deste ship o femlash mais OTP de todos os tempos!

 

BONUS: Dicas de ships femlash INDISPENSÁVEIS para conhecer – Willow e Tara (Buffy – A caça vampiros); Carol e Susan (Friends); Alex e Piper (Orange is the New Black); Morello e Nicky (Orange is the New Black); Thereza e Helô (Coisa mais Linda); Alex e Maggie (Supergirl); Lexa e Clarke (The 100); Karma e Amy (Faking it); Clara e Marina (Em família); Bette e Tina (The L Word); Dana e Alice (The L Word); Alison e Emily (Pretty Little Liars); Emily e Paige (Pretty Little Liars); Carlota e Sara (As Telefonistas); Waverly e Nicole (Wynonna Earp); Nomi e Amanita (Sense 8).

 

GLOSSÁRIO

Canon – acontece dentro da narrativa original

Fandom – grupo de fãs

Fanon – acontece apenas dentro de material, fóruns e debates de fãs.

Femslash – casais LGBTQ+ entre mulheres

OTP – One true pairing – um par único

Ship – Casal

Shipper – quem torce para casais

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Crítica Van Helsing: 3ª temporada peca por falta de fôlego e criatividade

 

Por Enoe Lopes Pontes

Produzida pelo canal SyFy, Van Helsing chega em seu terceiro ano! Passando a sensação de que poderia ter sido mais pontual e enxugado as barrigas, cortando micro conflitos e indo direto para as questões referentes ao plot original, ela chegou naquele momento em que todas as situações pré-conflito grande anunciado já aconteceram. Sabe questões como o mistério da ilha, em Lost; a batalha final de Once Upon a Time ou o end game de Ross e Rachel, de Friends? Então, os problemas menores vividos pela protagonista, Vanessa Helsing (Kelly Overton) chegaram ao seu limite, porque não interferem no resultado final do seriado como todo e adia o desenvolvimento principal da season, deixando as resoluções e ganchos um tanto corridos. Principalmente no que se refere ao dilema moral de Helsing.

O público já viu que os limites entre o bem e o mal que vivem nela estão numa linha tênue, dando uma visão não maniqueísta das suas vivências e esta estratégia era mais eficaz para que o objetivo central dos criadores não ficasse perdido. É um mundo distópico, pós-apocalíptico e uma mãe – que também tem poderes – acorda sem sua filha! Já está dada a situação e quem é esta mulher. A ressignificação deste quadro vem somente para postergar o gancho da finale.

 

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Ao lado desta questão está o fato de que as tramas dos coadjuvantes passam a parecer mais interessantes. Contudo, como a história original se perdeu e agora o espectador tem contato com múltiplas peripécias, nenhum encaminhamento é mostrado em sua totalidade. Assim, pode ficar uma sensação de incerteza sobre o que os roteiristas queriam com o terceiro ano da produção. Se a premissa era a jornada de Vanessa para reencontrar sua filha, depois (SPOILER ALERT!!!) que a garota morreu em seus braços, os rumos do enredo foram ficando nesta neblina, com uma indecisão da importância da personagem principal.

O que acaba acontecendo é que a figura da irmã de Vanessa, Scarlett Harker (Missy Peregrym), se sobressai e consegue captar mais a atenção com a sua história. Tanto no quesito narrativo, quanto de atuação, é ela que parece o elemento mais seguro aqui. Peregrym imprime um tanto de complexidade em Scarlett, sabendo dosar a carga entre as cenas pesadas e os alívios cômicos apenas com olhares e velocidade de texto.  O que é um contraponto com Overton que é menos expressiva facialmente. Apesar desta característica ajudar em alguns momentos a manter o tom de mistério de Van Helsing, no geral, a falta de força da atriz joga o brilho para sua colega de cena.

 

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Por fim, um ponto que talvez seja o mais preocupante seja o fato de um produto de terror ter uma ausência de construção de tensão bem realizada. Além da obviedade dos acontecimentos, o número de tipos de criatura cresce, mas não foram pensadas características para torna-las assustadoras. Uma repetição de caretas para câmera, em uma quantidade de tempo constrangedora, não convence. Primeiramente, a atuação não soa orgânica. A tendência é acreditar que eles possuem uma ideia do que é um “Monstro” e passaram a rosnar e arregalar os olhos. A essência e motivações vistas em momentos anteriores da série desapareceram. Até mesmo Sam (Christopher Heyerdahl), o vampiro mais assustador deste universo, fica entediante, porque suas ações acontecem de forma dilatada de uma forma que o ritmo se perde.

Renovada para uma quarta temporada, fica a esperança que ela volte para a sua forma anterior, cheia de ritmo, relações que criam empatia e medo!!

 

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