Br em Série: A fórmula do sucesso: Cine holliúdy traz a comicidade nordestina e homenagem ao cinema e A TV

Parece que apesar do preconceito e descaso com o Nordeste, a cultura da região ainda é receita de sucesso para as narrativas brasileiras. A Rede Globo demonstra ter entendido isso há algum tempo, pois vira e mexe apresenta narrativas com esse conteúdo, desde novelas, filmes a, mais recentemente, seriados (muitos desses produtos adaptados de realizações regionais). Assim, fomos apresentados a Cine Holliúdy,  trama de dez episódios que trouxe de volta à TV aberta o humor nordestino, mais especificamente cearense. Baseada no longa homônimo de sucesso do cinema nacional, assinado também pelo diretor Halder Gomes, a produção retorna com o personagem Francisgleydisson (Edmilson Filho) e outros atores, para a fictícia Pitombas, cidadezinha do interior do Ceará, onde esse “cabra” sonhador e apaixonado por cinema luta para manter viva a sétima arte que está ameaçada com a chegada da TV.

Tanto a série quanto o filme tem a mesma premissa de homenagear as salas de cinema que movimentavam as cidades do interior, mas que hoje, já quase não existem. Porém, nessa nova roupagem, fica forte a metalinguagem com relação a TV. A narrativa, como a abertura (belíssima e cantada por Elba Ramalho e Falcão) coloca, brinca com essa relação: Qual a diferença da TV para o cinema? Parece um pergunta retórica já que a série reverência a TV e suas próprias produções (novelas da Globo) e o cinema (em especial o cinema regional). O tom nostálgico e a homenagem singela é um trunfo do seriado.

 

 

Para quem acompanhou os filmes, pode ficar tranquilo, que apesar do “mão da Globo” visível na produção, Cine Holliúdy tem uma história nova, mostrando o mesmo Francisgleydisson numa versão, anterior a dos dois filmes da franquia, embora ainda dedicado ao cinema.  Francis aqui vive em Pitombas, onde toca um cinema fixo (Cine Holliúdy) nos anos 1970. O problema surge com a chegada da nova mulher do prefeito, a paulista Socorro (Heloísa Perissé), e sua filha, Marylin (Letícia Colin), que o convencem a comprar uma televisão, a primeira da cidade.

O protagonista logo se encanta pela “platinada” e com nome de “estrela do cinema”, Marylin, e daí surge o romance entre “tapas e beijos” entre eles. A graciosidade e determinação da moça da cidade, em contraponto à ingenuidade e esperteza de Francis dão autenticidade ao romance. Ao longo dos episódios, Francis, seu fiel escudeiro Munízio (Haroldo Guimarães) e Marylin decidem criar seus próprios filmes e reconquistar o público.

 

 

Ao redor deles, atuações da melhor qualidade, como o Prefeito Olegário (Matheus Nachtergaele), que prova mais uma vez o respeito ao interpretar um nordestino, seu assessor (ou capacho) Jujuba (Gustavo Falcão), a primeira-dama Socorro (Heloísa Périssé de volta às telas), e os talentos regionais que fizeram a diferença, como Carri Costa (Lindoso), Solange Teixeira (Belinha) e Frank Menezes (Delegado Nervoso). E é claro, não poderia se deixar de comentar da primorosa narração de Falcão,que também atua como Cego Isaías, com seu sotaque forte dá um aspecto de cordel a narrativa .

 

Ode ao cinema e ao interior nordestino

 

Cine Holliúdy une o bom dos dois mundo: o ritmo rápido (em torno de 25 min), com arcos que se fecham por episódio (trama circular) e que não se enrolam, estilo dos filmes clássicos, com a narrativa simplória, sem tramas muito complexas, típico das novelas. Um história para se distrair, rir e apaixonar pelos personagens.

Os  episódios temáticos são mais uma forma de homenagear o cinema. Em sua saga de herói, Francis lida com situações de filmes de ficção científica, de ação, vampiro, faroeste e até os filmes de luta. Cada aventura dessa vira um filme que ele mesmo produz, e que faz o cinema resistir a TV, pois, em suas palavras, “o povo quer ver filmes com gente do Ceará, e falado em Cearense”.

 

 

Apesar desse clima de descontração, a série não escapa do estilo Globo, com personagens e situações penando para o caricato. A a função de cada personagem é típica e fica explícita logo nas primeiras cenas,  o malandro, o político corrupto, a garota moderna da capital, a fofoqueira, a dondoca, o bobalhão. Porém, a boa atuação, os diálogos, cenários e figurinos caprichados tiram a série do lugar estereotipado e fazem o público se conectar rapidamente.

De um filme de baixo orçamento, que levou mais de 480 mil pessoas aos cinemas, surge uma série, que seguindo o sucesso de produções semelhantes, como Auto da Compadecida e a novela Cordel Encantado, se consagra como mais uma comédia certeira da Globo nas noites de terça-feira,  faixa que teve outras comédias cheias de qualidades, como Tapas & Beijos e Mister Brau. Apesar do horário, Cine Holliúdy exibe um Nordeste colorido, divertido e cheio de aventuras e fantasias que todo mundo pode assistir. O bom resultado trouxe bons ventos, depois do segundo filmes, agora foi confirmada a sua segunda temporada da serie.

 

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