Terror em Série – Top 5 Girl Power no Terror

 

O universo das séries de terror pode traduzir muito bem a realidade das mulheres, seja do constante medo em suas vidas, como também no poder que possuem de serem fortes, bruxas, de ser o que desejarem. Pensando nesta potência, o Série a Sério separou uma lista com seriados que trazem mulheres que são protagonistas, que lutam para traçar seus destinos e conseguem!

 

Eis o top 5:

 

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5 – Handmaid’s Tale (2017 – Atualidade)

 

Inspirada nos livros de Margaret Atwood, a produção mostra um universo distópico nos Estados Unidos, após um atentado contra o presidente. Apesar de trazer momentos que parecem mais sádicos do que empoderadores e de marcar a ligação da mulher com a maternidade, o seriado tem seus elementos feministas. Toda a construção do poder através da sororidade, evoca uma crença na força da união feminina e da inteligência delas para agir estrategicamente, sem esquecer de que a violência também existe dentro delas. Depois do final de sua última temporada, pode-se dizer que ainda há esperança das mulheres prevalecerem e lutarem e pararem de sofrer gratuitamente em todos os episódios.

 

 

4- Charmed ( 1998 – 2006)

 

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Em sua época, as irmãs Halliwell trouxeram um novo pensamento sobre sororidade no sentido mais literal possível. Apesar de seus interesses amorosos e conflitos com os mesmos,  o que mais importava em sua trama era a amizade das três e como elas protegiam umas as outras. A irmandade delas era o centro da questão! O poder das Três nada mais era que o poder da união feminina, inclusive, muitas referências da história vinham do pensamento de sagrado feminino e da energia da natureza como elo mágico na Terra.

 

 

 

3 – American Horror Story: Coven

 

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O seriado de Ryan Murphy tem um histórico de construir boas personagens femininas, mas, sua terceira temporada supera por construir uma mitologia própria em torno da potencialidade do universo das mulheres. A força que existe em cada uma de nós e como só podemos nos fortalecer e sermos mais poderosas quando descobrimos que não precisamos estar à sombra de ninguém para sermos alguém. Além de empoderamento, Coven nos traz muitos outros questionamentos, em especial como o medo que as mulheres têm de envelhecer e  de serem substituíveis depois da perda da juventude. Além disso, muitas vezes, há o preço altíssimo para se entrar em padrões de beleza, ser poderosa e ainda ser incentivada a disseminar a rivalidade feminina, pois este é o maior veículo para deixá-las enfraquecidas.

 

 

 

2 – Chilling Adventures of Sabrina

 

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O universo das bruxas é mais uma vez explorado, só que, dessa vez, de maneira ainda mais sombria. Talvez, menos sombria do que Coven, mas, dentro do conteúdo adolescente, Sabrina traz tons menos ingênuos e busca construir uma linha de pensamento feminista de maneira mais lúdica. A série consegue atingir seu ponto porque trata de feminismo de maneira sutil, mostrando em seus vilões homens, símbolos de opressão masculina e a forma como o ego dos homens afetam a convivência social de forma negativa. Parece didático, e em sua primeira temporada até é, mas, aos poucos, a produção toma forma e traz questionamentos cada vez mais potentes. Eis o trailer da segunda parte:

 

 

 

1 – Buffy – The vampire slayer

 

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Nos anos 1990, surgiu um dos maiores fenômenos televisivos da história dos Estados Unidos: a caçadora de vampiros adolescente! Ela amava homens, mas, amava ainda mais lutar contra vampiros e seres sobrenaturais. Tudo bem que esse era o fardo de Buffy Summers, não ser uma adolescente normal. Contudo, era uma das primeiras vezes que via-se uma mulher escolhida. Summers era forte, protegia seus amigos, era inteligente e com um humor sarcástico. Ela não era flawless, tinha seus defeitos, seus desejos, era bonita, mas não sexualizada. Ela era tudo que toda garota achava que não poderia ser e que, depois de  Buffy, entendeu que  tinha o poder de ser dona da sua própria vida. A caça vampiros mais badass de todos os tempos segurou sua balestra e lutou contra muitos lords e homens vampiros, mostrando que era muito mais que uma loirinha cheerleader.

 

https://www.youtube.com/watch?v=jP-lbMSirsA

 

Maratone como uma Garota!: 5 séries para derrubar a rivalidade feminina

Desde muito cedo, independente da sua identidade de gênero, mas especialmente se você se identifica (ou tenha sido identificado em algum momento) como mulher, muito provavelmente você foi socializada/o em um contexto cultural em que a rivalidade feminina é considerada quase uma condição intrínseca a nós mulheres. Essa noção às vezes está tão enraizada que chega a ser difícil reconhecê-la em nossos padrões de comportamento e expectativas. Espera-se e incentiva-se que as mulheres estejam em constante competição: por homens, por um look melhor, para chamar mais atenção.

O fato é que isso nada mais é do que uma lenda que o patriarcado inventou para enfraquecer a união e os laços que a gente pode (e deve!) cultivar sempre umas com as outras. De todo modo, desde que as mídias e produtos culturais, como filmes e séries, se tornaram parte de nossas rotinas, nossos imaginários são também formados a partir da relação que estabelecemos com eles. É por isso que quase sempre levamos muito mais do que apenas entretenimento com nossos personagens, autores e histórias favoritas. Levamos modos de pensar, de agir, de se vestir, mas também nos inspiramos com suas batalhas, seus sonhos, seus amores, em como perseguem objetivos e cultivam amizades. Pensa comigo: quantas vezes você se sentiu motivada/o ou impulsionada/o por alguma história? Aposto que algo veio a sua cabeça agora!

 

Graças ao fortalecimento que pautas feministas vêm tomando nos últimos anos, muitos padrões de opressão têm sido questionados. Algumas séries recentes de muito sucesso, como Sex Education e Good Girl, se encarregaram de desmistificar essa ideia de rivalidade feminina, especialmente entre personagens de diferentes estilos ou universos. Se você foi criança ou adolescente nos anos 2000, você teve o privilégio de poder acompanhar algumas boas histórias que provaram que o patriarcado não bate uma boa amizade. É por isso que na Maratone como uma Garota! de hoje vamos relembrar algumas séries que marcaram nossos corações e nos provaram que rivalidade com a gente não tem vez!

 

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1º Friends

Vamos começar com a mais clássica! Friends foi ao ar entre 1994 – 2004, mas continua sendo uma dos sitcoms mais assistidas até os dias atuais. Como o próprio nome sugere (friends é “amigos”, em português), a amizade é tema central e é impossível não amar o trio de amigas Rachel, Monica e Phoebe. Três mulheres bem diferentes, mas que estão sempre incentivando e torcendo umas para as outras. Monica e Rachel são um exemplo de amizade que se fortaleceu e amadureceu com o tempo. Phoebe tem um espírito amável e sempre presente.

 

 

2º The L Word

Parada quase obrigatória para as lésbicas e bis, essa é uma das séries mais interessantes para o público feminino, especialmente as LGBTQ+, não apenas por trazer no centro as relações entre casais femininos, mas também por discutir com lucidez questões relacionadas a padrões de gênero e sexualidade (ainda que tenha escorregado em retratar a bissexualidade como algo transitório ou incerto). Além de um roteiro fortemente feminista e de ter sido criada e produzida por uma mulher (Ilene Chaiken), The L Word se esforçou em demonstrar como as mulheres podem ser parceiras e confidentes. Existe um laço de apoio e compreensão entre muitas personagens, especialmente no núcleo central, como Tina, Alice, Dana, Kit, Bette e Shane. Uma nova temporada foi confirmada!

 

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3º Sob Nova Direção

Sitcom nacional de grande popularidade entre 2004 – 2007, a história trazia duas amigas sócias que tentavam recuperar um bar falido. Protagonizado por Heloísa Périssé e Ingrid Guimarães, a série mostrava não só a amizade, mas o empreendedorismo de duas mulheres independentes, ainda que em tom de (muita) comédia.

 

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4º Xena – A Princesa Guerreira

Não seria uma coluna minha se não tivesse essa série de marcou o coração de muita gente! Foi ao ar entre 1995-2001, mas continua reprisando no Brasil e em muitos países. Na Grécia antiga, Xena, uma guerreira em busca de redenção por seu passado violento, encontra em sua jornada a jovem Gabriele, que se torna sua melhor amiga e companheira de viagem. As cenas de luta e a coragem delas empoderou muitas garotas. A popularidade da série ao redor do mundo conseguiu reunir um Fandom* fiel e ativo. As protagonistas tinham um laço afetivo muito forte. Uma nova versão estava confirmada para os próximos anos e, conforme os produtores, as duas protagonistas seriam assumidamente homossexual. Mas para a tristeza geral na nação, o projeto foi cancelado!

 

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5º Três Espiãs Demais

Que atire a primeira pedra quem nunca brigou para ser Sam, Alex ou Clover (eu era a Sam!). Um dos desenhos animados mais populares da TV, era protagonizado por três adolescentes distintas que além de super amigas, eram super espiãs e estavam sempre vencendo vilões e ganhando batalhas. Além de provar que meninas podem fazer tudo – e de salto! (desculpa, não pude evitar), mostrou como as mulheres são versáteis, inteligentes, independentes e autossuficientes. Dá pra levar boas lições com o trio e até mesmo com a Mandy, sua principal rival, que possui camadas de sensibilidade.

 

Nunca é tarde para rever certos conceitos e questionar alguns padrões que nos foram impostos. Se mesmo depois dessa lista você ainda acredita de as mulheres nunca podem ser verdadeiramente amigas, tá aí a oportunidade de maratonar alguns episódios! E para quem já viu alguma(s), aproveita para matar a saudade e analisar com novos olhos.

*Fandom -> União dos termos em inglês Fan (fã) e Kingdom (Reino), resultando em “reino de fãs”. É uma expressão utilizada para designar um grupo de pessoas que são fãs de algum produto ou artista.

 

**Letícia Moreira é produtora cultural, pesquisadora e mestranda em Comunicação, pela Unicamp. Além disso, é crítica de cinema, pelo site Mais que Sétima Arte (https://maisquesetimarte.wordpress.com/)

TOP 5 – SÉRIES GIRL POWER

por Enoe Lopes Pontes

Representatividade! Ligar a TV, acessar o tablet, abrir o computador e se ver na tela é uma das melhores sensações que a recepção pode ter. Apesar de Hollywood ser uma terra dominada por homens – sobretudo brancos -, as produções têm apresentado uma maior quantidade de personagens de gêneros, etnias e sexualidades distintas. Obviamente, a igualdade não foi alcançada, ela ainda está muito longe. Contudo, vale celebrar e assistir aos seriados que trazem diversidade na equipe e em seus textos.

Pensando nisso, o Série a Sério traz agora uma lista com cinco séries mais Girl Power da televisão estadunidense. No top 5, foram consideradas a popularidade, o grau de representação na tela e o discurso das produções. Lembrando que o tema foi escolhido pelos leitores em nosso instagram! Confiram!

 

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5. Desperate Housewives (2004-2012): Exibida pelo canal ABC e criada por Marc Cherry (Devious Maids), a série é uma dramédia de mistério, na qual quatro donas de casa perdem uma grande amiga que se suicidou. Juntas, elas descobrem que existem motivos obscuros para a morte da tão querida amiga e passam a investigar os segredos que levam Mary Alice a tirar a própria vida. Além da qualidade técnica do seriado, que sabe dosar em cada episódio os momentos cômicos e trágicos, ter uma boa dinâmica no elenco e uma trilha que casa com a ironia que a produção busca passar, Desperate é puro girl power. Em 2004, o público teve contato com quatro mulheres fortes e donas de si que, apesar de em sua primeira camada, demonstrarem ser esterótipos femininos estabelecidos no imaginário da sociedade: a esposa perfeita e cuidadosa (Bree), a divorciada atrapalhada (Susan), a mãezona estressada, cheia de filhos travessos (Lynette) e a fútil (Gabrielle); eram muito mais do que isso. Durante as oito temporadas de Desperate Housewives estes arquétipos vão caído por terra e as moças vão demonstrando camadas profundas em suas personalidades, as dificuldades enfrentadas por serem mulheres, os dribles no machismo e a força guardada em cada uma.

 

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4. How to Get Away with Murder (2014-): Viola Davis é protagonista deste drama criminal, também exibido pela ABC. Davis interpreta a professora Annalise Keating, uma célebre advogada que precisa de cinco estagiários para trabalhar com ela em seu escritório. Obviamente, ela e os alunos escolhidos envolvem-se em crimes e situações tensas que vão se complicando cada vez mais a medida que a narrativa avança. O girl power está presente na produção tanto em Keating quanto nas figuras femininas coadjuvantes. São as mulheres que descobrem ou planejam as ciladas primeiro, que sabem se expressar melhor e movimentam a trama com mais complexidade e desenvolvimento. HTGAWM é um produto da Shondaland – empresa de Shonda Rhimes, criadora de Scandal e Grey’s Anatomy – e traz consigo uma qualidade presente nas obras da produtora: a diversidade étnica e a visibilidade gay. No caso de How to Get Away, a bissexualidade também está em voga, algo mais raro e muitas vezes tratado de maneira equivocada, como um fetiche ou uma confusão.

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3. Buffy – A Caça Vampiros (1996-2003): Poucas produções possuem um grau tão alto de girl power como esta série. A começar pela protagonista, Buffy Summer (Sarah Michelle-Gellar), uma jovem caçadora de criaturas sobrenaturais. A forma como a personagem é independente, firme e corajosa é uma inspiração. Construída paulatinamente com camadas de complexidades adicionadas a cada ano, sua postura de heroína só cresce dentro da história, chegando no ápice na sétima temporada, quando Summers já é uma mulher totalmente consciente e dona de suas ações. Outro destaque é Willow Rosenberg (Alyson Hannigan), que começa como uma menina ingênua e nerd, a jovem torna-se muito poderosa e determinada. Além disso, Willow é uma das primeiras personagens lésbicas assumidas da telvisão estadunidense e toda a sua trajetória até namorar uma mulher acontece com muita naturalidade e faz sentido dentro da trama. Por fim, é bacana falar sobre a presença de Joyce Summers (Kristine Sutherland), mãe de Buffy. Apesar de trazer um pouco do ideal de espírito maternal, aqui Joss Wheadon – showrunner* de Buffy – criou uma persona mais complexa. Joyce cria a filha sozinha e busca o melhor para ela, mas também tem vida própria e uma personalidade forte. Vejam bem, a produção começou em 1996, quando se era muito comum colocar senhoras rabugentas ou passivas nos enredos. Aqui não! Há fibra, garra e até participação direta em conflitos com mais ação. Na trama ainda existem coadjuvantes fortíssimas como Anya (Emma Caulfield) e Cordelia Chase (Charisma Carpenter). Por estes motivos e por ser muito divertida, Buffy – A Caça Vampiros vale muito a pena ser conferida.

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2. The Handmaid’s Tale (2017-): Fotografia, roteiro e atuações; a qualidade dos elementos técnicos da série já é um chamariz para o espectador. Contudo, a discussão que a produção provoca é ainda mais relevante. Baseado na obra homônima de Margaret Atwood, o enredo traz um mundo distópico no qual as mulheres são brutalmente escravizadas, violentadas e assassinadas. Nada é tão diferente do que a sociedade da vida real vive. O que a história faz é colocar uma lente de aumento nos maus tratos, no machismo, na homofobia e no radicalismo para que o público fique tão tocado e provocado que possa conseguir alcançar algumas reflexões, tais quais: qual o lugar que as mulheres ocupam de fato na sociedade? Quantas repressões elas vivem em seus cotidianos? O que lhes é tirado todos os dias? O que está acontecendo com cada uma delas neste momento? O discurso é potente e as ferramentas para contar as trajetórias destas figuras são muito boas. A segunda temporada já começou a ser disponibilizada pelo canal streaming Hulu. Corre!

 

Resultado de imagem para orange is the new black1. Orange is the New Black (2013-): Observando a quantidade de diversidade presente em Orange, já é possível compreender a razão dela ocupar a primeiríssima colocação da lista. O seriado, porém, vai além disto: há qualidade em sua representações. Inicialmente, o espectador é apresentado ao cotidiano de Piper Chapman (Taylor Schilling), uma menina branca de classe média dos Estados Unidos, que é sentenciada a quinze meses de prisão por envolvimento com tráfico de drogas. A sacada da produção de começar com uma jovem que se encaixa mais no padrão dos EUA e ir introduzindo os conflitos de mulheres de outras etnias e classes sociais, atrai o público diverso e segura o mais conservador. No final das contas, olhando para as cinco temporadas de OITNB, é possível encontrar também a sensibilidade para retratar estas figuras femininas encarceradas, seus conflitos, seus sentimentos, suas vidas dentro e fora da cadeia. Se você ainda não viu Orange, corre lá para ver!

 

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Outros títulos girl powers que valem ser conferidos: I Love Lucy, A Feiticeira, Jeannie é um Gênio, As Panteras, Charmed, Sex and the City, Gilmore Girls, Cold Case, The New Adventures of Old Christine, The Closer, Ghost Whisperer, Weeds, Grey’s Anatomy, The Comeback, Being Erica, Drop Dead Diva, The Good Wife, Body of Proof, Rizzoli & Isles, Revenge, 2 Broke Girls, Lost Girl, Veep, Faking it, The Fosters, Scandal, Supergirl, The Fall, Unbreakable Kimmy Schmidt, Jessica Jones, Crazy Ex-girlfriend, Big Little Lies, The Bold Type.

Orange is the New Black: as poderosas mulheres de Litchfield!

por Enoe Lopes Pontes

Um mega cliffhanger encerra a quarta temporada de Orange is the New Black, daqueles que fazem o espectador contar cada dia no calendário para descobrir o que pode acontecer. São muitos anos acompanhando essas mulheres tão fortes e intensas que estrelam a série da Netflix. Entregar para o público um novo arco com dignidade era o mínimo que os envolvidos poderiam fazer, após realizar a melhor fase do seriado em 2016.

Pois bem, o suspense encerra-se e descobre-se enfim o que ocorreu depois de Daya (Dascha Polanco) apontar a arma para o detestável policial Thomas Humphrey (Michael Torpey). Os treze episódios se passam nas próximas 72h das detentas de Litchfield, buscando justiça pela morte de Poussey (Samira Wiley) e reivindicando por melhorias dentro da prisão. Essa arriscada estrutura de poucos dias, porém recheados de acontecimentos, não cansa o espectador, pelo contrário, garante a fama da Netflix de não deixar que ninguém consiga parar de maratonar uma série.

A complexidade das personagens chega ao ápice, pois todas as mulheres em destaque são mostradas sem maniqueísmos, com falhas e acertos, com muita inteligência e ideias profundas, indo além do que a sociedade pode muitas vezes supor como feminino. No auge de uma situação extremamente complicada, todas lutam do jeito que sabem para sobreviver ao caos.

Este, o caos, também é bem orquestrado. Apesar de muitas ações em um curto espaço de tempo, o roteiro não se perde e consegue amarrar bem as ideias em cada capítulo, deixando pequenos cliffhangers para o próximo episódio. Não há enganação. O público deseja saber qual será o fim da rebelião, mas fica muito claro que a temporada inteira irá se basear nisso, o que causa no espectador a mesma sensação que as presidiárias sentem. Angústia, com doses bem medidas de ação, sem diálogos expositivos, é preciso olhar com atenção para cada mulher na tela, pois ela pode ser a chave para o fim dos conflitos.

As atrizes também são um destaque da quinta temporada. Todas demonstraram amadurecimento em seus papéis, mas o destaque dessa vez vai para Danielle Brooks, a Taystee Jefferson. O caminho que a artista escolheu para expor o luto da personagem foi certeiro, conseguindo mesclar expressões de mágoa e dor, porém astúcia e poder de liderança para encarar as consequências de suas ações. Em seus olhares profundos para a câmera e para as colegas de prisão, o público enxerga verdade e uma fé cênica inabalável.

Nestes novos episódios, Taystee é a protagonista e Brooks soube aproveitar cada segundo na tela, sem desperdiçar gestos, trazendo novas entonações de voz –  antes mais leves e brincalhonas – e agora cobertos de posicionamento firme e um forte amadurecimento. Os resultados alcançados pela persona na trama importam menos do que sua trajetória. Se o olhar recai para o caminho trilhado por Jefferson, nota-se a evolução da personagem.

Por fim, outro fator positivo é a força do patriarcado que busca oprimir a força das mulheres, mas não sem muita luta. A sensibilidade da direção conta muito nesta hora. A câmera passa cuidadosamente pela mulheres em horas de luta e nos momentos de dor como, por exemplo, (SPOILER ALERT, NÃO CONTINUE SE NÃO ASSISTIU!!!) quando os policiais entram em Litchfield e encontram uma Soso (Kimiko Glenn) resoluta, firme de que não quer abandonar a biblioteca feita em memória de Poussey. Num contra plongê, olhamos para a personagem com carinho e admiração, por mais chata que ela possa parecer, ela sabe protestar e não sai sem resistir, sendo carregada pelos oficiais.

São nesses toques que mesclam brutalidade e leveza que Orange is the New Black consegue capturar a essência da força feminina, a luta diária para com o sistema e a importância da união entre as mulheres. Quando juntas, elas podem fazer o que quiserem! Ainda que a quinta temporada não seja a melhor de todas, o posto ainda fica com a sua anterior, os novos episódios são bem feitos, conseguem segurar a onda de narrar 72h em 13 capítulos, traz interpretações de encharcar os lencinhos e deixa, mais uma vez, o público ansiando por mais, com um novo e tenso cliffhanger.

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