House of Cards 5ª temporada: Underwood para presidente!!!

por Enoe Lopes Pontes

Política, tensão, intrigas, sangue, conchavos, quebras da quarta parede e diálogos afiados. São cinco anos acompanhando Frank e Claire Underwood (Kevin Spacey e Robin Wright, respectivamente) rumo ao poder numa trajetória cheia de corrupção e  falta de limites éticos.

Quando o espectador termina a quarta temporada fica um engasgo. O futuro de Francis na Casa Branca é incerto e tudo indica que o protagonista tem chances de perder o posto para seu rival do momento: William Conway (Joel Kinnaman). Frank Underwood está sendo acusado de crimes severos, incluindo um falso ataque terrorista para modificar os votos das eleições de 2016. Porém, o espectador já conhece o presidente vigente, o que ele irá aprontar para garantir seu lugar é o que instiga.

A partir do plot deixado pelo cliffhanger da temporada anterior, o enredo se constrói lentamente, como o de costume. As peças do tabuleiro vão sendo mexidas cautelosamente, mas, ao contrário do que acontecia anteriormente, agora os passos de Francis parecem deixar um caos espalhado por onde ele passa. Spacey demonstra zelo na construção da personagem que sugere uma suposta ruína de F. Underwood. As expressões de exaustão, banhadas pelos cabelos brancos e a postura cansada deixam o público tenso, prevendo uma possível derrota final do político.

Enquanto isso, o bastão vai sendo passado para Claire. A dinâmica do casal permanece afiadíssima! Os olhares, gestos e tom de voz fazem das cenas danças e os atores conseguem atingir o que é chamado no teatro, em inglês, de “play”. As palavras reverberam, os confrontos e acordos fluem diante da tela, eles brincam, jogam certeiramente, não deixando a peteca cair em um só instante.

Sozinha em cena, Wright também se destaca. As complexidades de Claire Underwood são ainda mais exploradas nesta quinta temporada, tanto no texto quanto em sua interpretação. Outros lados da persona são expostos. Robin consegue equilibrar frieza e paixão, vontade, ambição e tensão, com leveza. Aparentemente ela não faz um esforço grande, mas os planos posteriores vão revelando suas intenções e ações, deixando claro todo o trabalho certeiro da atriz, que prepara o espectador e a própria personagem para o que estar por vir.

SPOILER ALERT!!! Continue por sua conta e risco!!!!!

Quando o público é brindado com as primeiras quebras da quarta parede feitas por C. Underwood a sensação é a de virada de posição. A partir daqueles momentos ela estaria no controle da situação, deixando Francis de lado e finalmente ocupando o lugar que merece. Porém, há algo que incomoda bastante nesta fase do seriado. Após doze episódios de um Frank cansado e quase derrotado, ele revela todo seu plano que parece ter saído de uma novela mexicana ruim.

Todos os riscos e erros que ele cometeu foram pensados para pôr Claire na presidência e ele no setor privado. A sensação de que por mais uma vez sua esposa não chegou no poder por esforço próprio e a onipotência de Francis parecem mal explicadas e jogadas como um plot twist gratuito. Isto porque, além do espectador se sentir traído, a situação não foi posta de forma orgânica e deixa a sensação de um roteiro leviano.

Por outro lado, nesta hora o brilho de Spacey resplandece ainda mais, pois é nos detalhes de sua interpretação que essa ideia consegue ter um pouco de lógica. Seus olhares profundos e uma vontade de não focar na tela que, neste caso, é o público. Francis mal olha para o espectador na quinta temporada. Ele parece tenso e nervoso e isso se justifica, pois a personagem estava tramando sua jogada mais perigosa até então.

Toda esta atmosfera é também construída com o apoio dos papéis coadjuvantes, principalmente por Catherine Durant (Jayne Atkinson) e Jane Davies (Patricia Clarkson). Entre suas armações privadas e as conversas com os Underwoods elas são uma das poucas que capturam a personalidade do casal e conseguem desestabilizá-los e fazer com que eles sintam-se ameaçados. As duas artistas imprimem essa espécie de neutralidade em suas faces, deixando a dúvida se merecem ou não a confiança da dupla principal.

Por fim, os ouvidos permanecem também atentos. A trilha de House of Cards é tímida, mas eficaz. Preenche o ambiente de seriedade ou tensão, a depender do que a cena pede. Contudo, algumas vezes deixa um tom de noticiário que incomoda um pouco quando vaza para momentos que vão além dos telejornais. No mais, é maratonar e esperar 2018 com um nó na garganta!

E o Emmy vai para… – Academia divulga indicados da maior premiação de série dos EUA

por Enoe Lopes Pontes

Críticos e fãs mais fervorosos esperavam ansiosamente por um evento marcado para hoje: as indicações do Emmy Awards 2017. O prêmio é destinado aos programas de TV de gêneros variados, tais quais: comédia, drama, minissérie, animação e realities, e a cerimônia também é da responsabilidade da Academia de Artes e Ciências Televisivas dos Estados Unidos (Sim, a mesma do Oscar!). Em sua 69ª edição, o Emmy será no dia 17 de setembro com transmissão, no Brasil, da emissora TNT.

As indicações deste ano foram surpreendentemente positivas! Além de agradar ao conseguir abarcar, quantitativamente, um número considerável de séries do ano passado, a seleção também não deixou a desejar no quesito “nomes importantes”, como House of Cards, The Americans, Veep, Big Little Lies e Feud: Bette na Joan. Inclusive, estas últimas citadas tiveram quase todo o elenco indicado, muito merecidamente, claro, e deixando a disputa acirradíssima.

 

Outro ponto que chama a atenção nos nomes de possíveis vencedores é a escolha –inteligentíssima por sinal – da Netflix de colocar cada episódio de Black Mirror como um telefilme. O melhor capítulo da terceira temporada da trama se sobressaiu e recebeu duas indicações, incluindo “Melhor filme feito para TV”. Foi triste reparar, no entanto, a ausência de Bryce Dallas Howards, a Lacie de “Nosedive”, um dos melhores papéis da carreira da atriz.

Apesar de leves decepções, como a esnobada na Howard, a esquecida de Orphan Black ou até mesmo a ignorada de Wynona Rider, em Stranger Things, a lista do Emmy Awards deste ano é uma grata e reconfortante surpresa! Séries e telefilmes bons, atores e atrizes que mereciam estar ali e produções fantásticas – como The Handmaid’s Tale, por exemplo. Uma pena mesmo não existir espaço para todos os talentos do mundo norte-americano. Para você que ficou curioso com toda esta falação sobre as indicações, confira agora a lista completa:

 

 

Melhor série cômica

Atlanta

Black-ish

Master of None

Modern Family

Silicon Valley

Unbreakable Kimmy Schmidt

Veep

 

Melhor atriz em série cômica

Pamela Adlon – Better Things

Jane Fonda – Grace & Frankie

Allison Janney – Mom

Ellie Kemper – Unbreakable Kimmy Schmidt

Julia Louis-Dreyfus – Veep

Tracee Ellis Ross – Black-ish

Lily Tomlin – Grace & Frankie

 

Melhor atriz coadjuvante em série cômica

Leslie Jones – Saturday Night Live

Kate McKinnon – Saturday Night Live

Vanessa Bayer – Saturday Night Live

Kathryn Hahn – Transparent

Judith Light – Transparent

Anna Chlumsky -Veep

 

Melhor atriz convidada em série cômica

Wanda Sykes – Black-ish

Carrie Fisher – Catastrophe

Becky Ann Baker – Girls

Angela Bassett – Master of None

Melissa McCarthy – Saturday Night Live

Kristen Wiig – Saturday Night Live

 

Melhor ator em série cômica

Anthony Anderson – Black-ish

Aziz Ansari – Master of None

Zach Galifianakis – Baskets

Donald Glover – Atlanta

William H. Macy – Shameless

Jeffrey Tambor – Transparent

 

Melhor ator coadjuvante em série cômica

Louie Anderson – Baskets

Ty Burrell – Modern Family

Alec Baldwin – Saturday Night Live

Tituss Burgess – Unbreakable Kimmy Schmidt

Tony Hale – Veep

Matt Walsh – Veep

 

Melhor ator convidado em série cômica

Matthew Rhys – Girls

Lin-Manuel Miranda – Saturday Night Live

Dave Chappelle – Saturday Night Live

Tom Hanks – Saturday Night Live

Hugh Laurie – Veep

 

Melhor direção série cômica

Donald Glover pelo episódio “B.A.N.” – Atlanta

Jamie Babbit pelo episódio “Intellectual Property” – Silicon Valley

Mike Judge pelo episódio “Server Error” – Silicon Valley

Morgan Sackett pelo episódio “Blurb” – Veep

David Mandel pelo episódio “Groundbreaking” – Veep

Dale Stern pelo episódio “Justice” – Veep

 

Melhor roteiro em série cômica

Donald Glover pelo episódio “B.A.N.” – Atlanta

Stephen Glover pelo episódio “Streets On Lock” – Atlanta

Aziz Ansari e Lena Waithe pelo episódio “Thanksgiving” – Master of None

Alec Berg pelo episódio “Success Failure” – Silicon Valley

Billy Kimball pelo episódio “Georgia” – Veep

David Mandel pelo episódio “Groundbreaking” – Veep

 

Melhor série dramática

Better Call Saul

The Crown

The Handmaid’s Tale

House of Cards

Stranger Things

This is Us

Westworld

 

Melhor atriz em série dramática

Viola Davis – How to Get Away with Murder

Claire Foy – The Crown

Elisabeth Moss – The Handmaid’s Tale

Keri Russell – The Americans

Evan Rachel Wood – Westworld

Robin Wright – House of Cards

 

Melhor atriz coadjuvante em série dramática

Uzo Aduba – Orange is the New Black

Millie Bobby Brown – Stranger Things

Ann Dowd – The Handmaid’s Tale

Samira Wiley – The Handmaid’s Tale

Chrissy Metz – This is Us

Thandie Newton – Westworld

 

Melhor atriz convidada em série dramática

Cicely Tyson – How to Get Away with Murder

Laverne Cox – Orange is the New Black

Shannon Purser – Stranger Things

Alison Wright – The Americans

Alexis Bledel – The Handmaid’s Tale

Ann Dowd – The Leftovers

 

Melhor ator em série dramática

Sterling K. Brown – This is Us

Anthony Hopkins – Westworld

Bob Odenkirk – Better Call Saul

Matthew Rhys – The Americans

Liev Schreiber – Ray Donovan

Kevin Spacey – House of Cards

Milo Ventimiglia – This is Us

 

Melhor ator coadjuvante em série dramática

Jonathan Banks – Better Call Saul

Michael Kelly – House of Cards

John Lithgow – The Crown

Mandy Patinkin – Homeland

David Harbour – Stranger Things

Ron Cephas Jones – This is Us

 

Melhor ator convidado em série dramática

Ben Mendelsohn – Bloodline

BD Wong – Mr. Robot

Hank Azaria – Ray Donovan

Brian Tyree Henry – This is Us

Gerald McRaney – This is Us

Denis O’Hare – This is Us

 

Melhor direção em série dramática

Vince Gilligan pelo episódio “Witness” – Better Call Saul

Lesli Lika Glatter pelo episódio “America First” – Homeland

The Duffer Brothers pelo episódio “Chapter One: The Vanishing of Will Byers” – Stranger Things

Stephen Daldry pelo episódio “Hyde Park Corner” – The Crown

Reed Morano pelo episódio “Offred (Pilot)” – The Handmaid’s Tale

Kate Dennis pelo episódio “The Bridge” – The Handmaid’s Tale

Jonathan Nolan pelo episódio “The Bicameral Mind” – Westworld

 

Melhor roteiro em série dramática

Gordon Smith pelo episódio “Chicanery” – Better Call Saul

The Duffer Brothers pelo episódio “Chapter One: The Vanishing of Will Byers” – Stranger Things

Joel Fields e Joe Wesberg pelo episódio “The Soviet Division” – The Americans

Peter Morgan pelo episódio “Assassins” – The Crown

Bruce Miller pelo episódio “Offred (Pilot)” – The Handmaid’s Tale

Lisa Joy e Jonathan Nolan pelo episódio “The Bicameral Mind” – Westworld

 

Melhor minissérie

Big Little Lies

Fargo

Feud: Bette and Joan

Genius

The Night Of

 

Melhor filme feito para TV

Black Mirror: “San Junipero”

Dolly Parton’s Christmas of Many Colors: Circle of Love

Sherlock: “The Lying Detective”

The Immortal Life of Henrietta Lacks

The Wizard of Lies

 

Melhor atriz em minissérie ou filme feito para TV

Carrie Coon – Big Little Lies

Jessica Lange – Feud: Bette and Joan

Susan Sarandon – Feud: Bette and Joan

Reese Whitherspoon – Big Little Lies

 

Melhor ator em minissérie ou filme feito para TV

Riz Ahmed – The Night Of

Benedict Cumberbatch – Sherlock: “The Lying Detective”

Robert DeNiro – The Wizard of Lies

Ewan McGregor – Big Little Lies

Laura Dern – Big Little Lies

Judy Davis – Feud: Bette and Joan

Jackie Hoffman – Feud: Bette and Joan

Michelle Pfeiffer – The Wizard of Lies

 

Melhor ator coadjuvante em minissérie ou filme feito para TV

Alexander Sarsgard – Fargo

Alfred Molina – Feud: Bette and Joan

Stanley Tucci – Feud: Bette and Joan

Bill Camp – The Night Of

Michael Kenneth Williams – The Night Of

 

Melhor direção em minissérie ou filme feito para a TV

Jean-Marc Vallée – Big Little Lies

Noah Hawley pelo episódio “The Law of Vacant Places” – Fargo

Ryan Murphy pelo episódio “And the Winner is… (The Oscars of 1963)” – Feud: Bette and Joan

Ron Howard pelo episódio “Einstein: Chapter One” – Genius

James Marsh pelo episódio “The Art of War” – The Night Of

Steven Zaillian pelo episódio “The Beach” – The Night Of

 

Melhor roteiro em minissérie ou filme feito para a TV

David E. Kelley – Big Little Lies

Charlie Brooker – Black Mirror: “San Junipero”

Noah Hawley pelo episódio “The Law of Vacant Places” – Fargo

Ryan Murphy pelo episódio “And the Winner Is… (The Oscar of 1963)” – Feud: Bette and Joan

Jaffe Cohen, Michael Zam e Ryan Murphy pelo episódio “Pilot” – Feud: Bette and Joan

Steven Zailian e Richard Price pelo episódio “The Call of the Wild” – The Night Of

 

Melhor animação

Archer

Bob’s Burgers

Elena and the Secret of Avalor

Os Simpsons

South Park

 

Melhor dublagem

Dee Bradley Baker – American Dad!

Kevin Kline – Bob’s Burgers

Kristen Schaal – BoJack Horseman

Mo Collins – F is for Family

Seth MacFarlane – Family Guy

Nancy Cartwright – Os Simpsons

 

Melhor talk show e variedades

Full Frontal with Samantha Bee

Jimmy Kimmel Live!

The Late Late Show with James Corden

The Late Show with Stephen Colbert

Real Time with Bill Maher

 

Melhor programa de esquete e variedades

Billy on the Street

Documentary Now!

Drunk History

Portlandia

Saturday Night Live

Tracey Ullman’s Show

 

Melhor especial de variedades

Carpool Karaoke Primetime Special 2017

Full Frontal with Samantha Bee Presents Not the White House Correspondant’s Dinner

Louis C.K. 2017

Sarah Silverman: A Speck of Dust

Stephen Colbert’s Live Election Night Democracy’s Series Finale: Who’s Going to Clean Up this Shit?

 

Melhor reality show roteirizado

Antiques Roadshow

Diners, Drive-ins and Dives

Fixer Upper

Lip Sync Battle

Shark Tank

Who do You Think You Are?

 

Melhor reality show sem roteiro

Born This Way

Deadliest Catch

Gaycation with Ellen Page

Intervention

RuPaul’s Drag Race: Untucked

United Shades of America with W. Kamau Bell

 

Melhor programa de competição

American Ninja Warrior

Project Runway

RuPaul’s Drag Race

The Amazing Race

The Voice

Top Chef

 

Melhor apresentador de reality show ou programa de competição

Martha Stewart & Snoop Dogg – Martha & Snoop’s Potluck Dinner Party

Gordon Ramsey – MasterChef Junior

Alec Baldwin – Match Game

Heidi Klum & Tim Gunn – Project Runway

RuPaul Charles – RuPaul’s Drag Race

Kamau Bell – United Shades of America with W. Kamau Bell

Top 5 – Clones de Orphan Black

por Enoe Lopes Pontes

A quinta temporada de Orphan Black (2013-) está no ar e nas redes. A série canadense, produção da BBC America, conta a trajetória de Sarah Manning e a bizarra descoberta que a moça faz no metrô de sua cidade, ao ver uma mulher igualzinha a ela se suicidar. Como Manning estava fugindo do ex-namorado bandido, ela resolve roubar a identidade de Elizabeth Childs, a suicida, o que acaba sendo o início do plot do programa e que gera a consequência do encontro da fugitiva com nada mais nada menos que diversos clones.

Assim, desde o princípio, o público sabe que a produção lida com a temática de clones e, aos poucos o espectador vai desvendando alguns mistérios da trama e conhecendo novas figuras que possuem a mesma face, todas interpretadas por Tatiana Maslany (Being Erica) que, inclusive, conquistou o Emmy Awards de melhor atriz de série dramática em 2016.

Pensando nas diversas personas clonadas do seriado, o Série a Sério traz agora uma lista dos cinco melhores clones vividos por Tatiana Maslany em Orphan Black. Confira o ranking e descubra se sua favorita está por aqui!

5) Krystal Goderitch – A divertida manicure aparece na terceira temporada de Orphan Black. Krystal faz o estilo perua. Com seus longos cabelos loiros, unhas perfeitas e vestidos justos, a moça não aparece muito na série, mas ocupa a quinta posição por sua simpatia e por não deixar que o estereótipo de mulher muito arrumada diminua sua sagacidade.

 

4) Helena – Eita clone complicado! Talvez essa seja a personagem mais complexa da série. Apresentando uma personalidade difícil de lidar, Helena cuida muito bem daqueles que ama e não mede esforços para protegê-los, destruindo qualquer coisa ou pessoa para realizar este objetivo. Ela foi criada de forma pouco convencional e separada de sua irmã gêmea (sim, além de clone ela é gêmea). Os pontos altos da personagem são quando ela está ao lado da “sestra” (irmã) fazendo com que as duas tenham um laço um mais forte do que com outros clones. Helena ocupa o terceiro lugar pela sua personalidade única, sua força e coragem e pela fé cênica da Tatiana Maslany que consegue fazer com o que o público compre suas construções de personagem.

3) Sarah Manning – Se existe algum clone protagonista esta é Sarah. Desde o início do programa é ela que faz as descobertas, que introduz o espectador ao estranho universo dos clones e todos os mistérios da narrativa. A bad girl, que se disfarça da policial Elizabeth, é a chave para uma resposta que ninguém dentro ou fora do programa sabe. Manning e sua gêmea são capazes de engravidar, sendo que nenhuma das outras mulheres clonadas consegue realizar o feito. Esse fato pode ser a resposta para muitas questões da série.

2) Cosima Niehaus – Cientista brilhante, Cosima é uma das personagens mais amadas de Orphan Black. Além do charme e simpatia da garota nerd, ela protagoniza um romance complexo e intenso com uma outra geek de laboratória, Delphine Cormier, dando origem ao ship Cophine. Marcada pelos belos dreads, ela é o ponto de equilíbrio no seriado. Enquanto todos podem agir de forma passional, Niehaus pensa em estratégias, é racional. Seu eu de exatas só balança quando se trata de Delphine e é aí que mora a complexidade da personagem.

1) Alison Hendrix – À primeira vista, Alison Hendrix parece mais uma daquelas “soccer moms”(mães do futebol, termo comum nos Estados Unidos e Canadá para falar das donas de casa dedicadas), mas ela é muito mais que isso. Para além da sua paranoia e vontade excessiva de consumir álcool, Hendrix é a personagem mais cativante de Orphan Black. Cheia de camadas e complexidades, ela consegue com que os espectadores se identifiquem e se distanciem dela a todo instante. Ali é quem faz o público lembrar que aquela poderia ser uma história próxima do nosso cotidiano, mas que também não é. Engraçada, carismática e cheia de facetas, Alison ocupa o primeiro lugar do ranking do Clube dos Clones.

Visão machista e técnica fraca dominam a primeira temporada de Gypsy

por Enoe Lopes Pontes

E se você pudesse ser outra pessoa completamente diferente daquela do seu cotidiano? Esse questionamento é a base para a história de Gypsy, lançamento de junho da Netflix e estrelado por Naomi Watts (O Impossível). Jean, a protagonista da trama, é uma terapeuta relativamente bem sucedida, mas que em alguns períodos da vida entra em crise e começa a agir de forma imprudente.

O seriado é criado pela estreante Lisa Rubin, que conta com a parceria de Jonathan Caren (Melrose Place) no roteiro e na direção. Até a metade da temporada, o espectador pode ter a sensação de que uma tensão está sendo construída e a qualquer momento as bombas das mentiras das personagens, principalmente da principal, irão estourar. Porém, as situações continuam se repetindo e o momento de exposição de algumas das inverdades quebra a expectativa do público. Isto porque as pessoas retratadas na tela parecem engessadas, com reações que não são passadas de forma verdadeira.

Caso esta fosse a proposta da concepção de Gypsy, isto poderia funcionar, mas não. O que a narrativa parece tentar realizar – e não consegue – é jogar para o mundo, de forma impactante, como os relacionamentos de todos os tipos podem ser frágeis e nem tudo que se vê o primeiro plano é real, mas há três falhas na execução de tal intento. A primeira delas é o elenco. Em certo momento, Jean gosta de um quadro que ela diz ser “evocativo” e este adjetivo parece estar grudado na construção das personagens que insistem em trazer este tom em demasia, inclusive, utilizando-o em alguns momentos de conflito, sedução e confrontos.

Outro ponto que incomoda é a visão machista em relação às figuras femininas. É de admirar-se que a criadora seja uma mulher. Sabe aquela antiga e equivocada visão de que elas são manipuladoras, loucas, descontroladas e os homens são constantemente manipulados e se deixam cair nos encantos delas? Essa imagem deturpada do gênero é reforçada constantemente em diversos tipos, desde a mãe idosa controladora até a jovem sedutora e destruidora de lares.

A terceira questão que salta aos olhos é a edição quase amadora, ainda mais quando se pensa que a série é produzida por uma grande empresa. A montagem ressalta, principalmente até o sexto episódio, erros de continuidade nítidos e é lamentável observar o trabalho leviano de alguém experiente como a Barbara Tulliver (Sinais). Um espectador mais atento consegue notar os pontos exatos de corte, nos quais os conceitos de raccord e jump cuts foram jogados ao vento.

 

Infelizmente, Gypsy não é digno de Naomi Watts e é uma surpresa ruim para seus fãs e para o público em geral. Além disso, o seriado ainda pode ser um lamento para os LGBTs. Sabe aquela representatividade tão desejada? Ela finge estar ali quando, na verdade, é um amontoado de fetichismo que não captura quase em segundo algum uma relação verdadeira entre duas mulheres.

As Telefonistas e a luta feminina nos anos 1920

por Enoe Lopes Pontes

Recheada de feminismo, romance e melodrama, a série As Telefonistas é a primeira produção original do canal streaming na Espanha! Ambientada nos anos 1920, o seriado mostra escancaradamente como as mulheres sofriam no silêncio ou na luta. Apesar de almejarem a liberdade, elas eram condicionadas pela sociedade a viver à sombra de seus maridos, cuidando das crianças e do lar. Como um ponto fora da curva, a Netflix traz personagens femininas que brigam literalmente e disfarçadamente para alcançar seus desejos concretos que vão além do padrão imposto pelo mundo machista, misógino e cruel ou como o seriado mesmo diz “O mundo dos homens”.

Ambientada em Madri, na Espanha, a história narra os caminhos de quatro mulheres que acabam no emprego de telefonista de uma grande empresa, por motivos diferentes, com lutas distintas, mas que, no final das contas convergem. Independentemente da trajetória de cada uma, o que importa de fato na trama é acompanhar o desenvolvimento das moças na tela, as diferentes possibilidades de caminhos que uma mulher concretizada, constantemente comparada com homens que possuem a mesma classe social, etnia e escolaridade.

Na segunda camada, para além da luta das mulheres por espaço na sociedade, existe o clima de romance. Com muitas peripécias, identidades falsas e muitos tapas na cara – sério, é literalmente – a série ganha um ar melodramático digno de uma boa novela mexicana. O espanhol saindo da boca dos atores coopera ainda mais para trazer a sensação de folhetim do México. Mas isso não é de modo algum demérito, é o que apimenta a construção da trama e alivia as tensões das opressões masculinas recorrentes em cada minuto de cada episódio.

Os criadores Ramón Campos, Teresa Fernández-Valdés e Gema R. Neira – que já possuíam trabalhos juntos anteriormente, como Seis Hermanas e Gran Hotel – conseguem ambientar o espectador e criar empatia em relação às personagens da série. O enredo segue firme, enxuto e amarrado, pois em nenhum momento, apesar de todas as confusões e tensões, a narrativa se perde. Os enlaces e desenlaces são cuidadosamente acabados e começados, num ciclo que consegue se fechar ou deixar as pontas soltas propositalmente, para criar angústia no público.

Cada conflito que é postergado deixa um gosto amargo em quem assiste, além de dúvida, temor e compaixão. Por isso, em seus 08 episódios, a série As Telefonistas passa tão rápido e é facilmente maratonada. Não há quase espaço algum para respiro, a não ser os momentos necessários de relaxamente, que vêm com alguma piada do casal romântico bobo e atrapalhado, formado por Pablo (Kyle McCarley) e Marga (Nadia de Santiago).

Ainda assim, o seriado peca em alguns pontos. O primeiro é a banda sonora que destoa dos climas das cenas. As músicas contemporâneas poderiam funcionar como uma quebra para com o realismo comumente utilizado no audiovisual, porém essa escolha de canções desconecta o espectador da história e não acrescentam emoção ou sensação positiva, apenas lembra ao público que ele está vendo uma ficção.

A segunda questão importante que faz com que As Telefonista tenha uma queda de qualidade é a falta de ‘jogo de cintura’ dos atores para sustentar o melodrama o tempo inteiro. Alguns momentos tensos acabam por ficar risíveis ou desconfortáveis como, por exemplo, (SPOILER ALERT) a cena em que Elisa (Cherami Leigh) corta o braço. Além da edição mal feita, a atriz não consegue imprimir bem a emoção necessária para que a ação e os sentimentos fiquem críveis, causando uma espécie de ‘vergonha alheia’.

O mesmo não pode ser dito da dupla principal! Lidia/Alba (Blanca Suárez, Pele que Habito) e Francisco (Yon González, Gran Hotel) mantêm a proximidade de um polegar, olho no olho, com um texto carregado de melodrama e os dois seguram a cena. A dupla sustenta os diálogos e se conecta, mal respirando, o que faz com que o espectador segure o ar junto com eles. A dinâmica é cheia de ritmo. Eles passam por tempos distintos de movimentação e falas, distância curta e avanço, e a sensação ao final de cada sequência é a vontade de gritar que os dois se beijem de uma vez.

Outra surpresa grata fica por conta de Maggie Civantos (Vis a Vis). Interpretando a aparentemente frágil, doce e dedicada Ángeles Vidal, a atriz traz uma presença e força em cena quando lhe é necessário. Civantos consegue emendar em poucos segundos tristeza profunda, medo, raiva e determinação. (SPOILER ALERT!!!!!). Na cena em que seu marido, Mario (Jay Preston), a espanca de tal modo que posteriormente ela perde o bebê, é um exemplo bom no qual ela consegue dosar bem diversas expressões em poucos instantes, indo da garra ao medo até a postura final de humilhação e dor completas.

Apesar de ter pontos técnicos falhos, como algumas interpretações e a banda sonora, a série As Telefonistas vale pelo tema, pelas surpresas agradáveis dos novos atores e pelas graças e romances feitos na medida para aliviar a abordagem de assuntos tão sérios.

Orange is the New Black: as poderosas mulheres de Litchfield!

por Enoe Lopes Pontes

Um mega cliffhanger encerra a quarta temporada de Orange is the New Black, daqueles que fazem o espectador contar cada dia no calendário para descobrir o que pode acontecer. São muitos anos acompanhando essas mulheres tão fortes e intensas que estrelam a série da Netflix. Entregar para o público um novo arco com dignidade era o mínimo que os envolvidos poderiam fazer, após realizar a melhor fase do seriado em 2016.

Pois bem, o suspense encerra-se e descobre-se enfim o que ocorreu depois de Daya (Dascha Polanco) apontar a arma para o detestável policial Thomas Humphrey (Michael Torpey). Os treze episódios se passam nas próximas 72h das detentas de Litchfield, buscando justiça pela morte de Poussey (Samira Wiley) e reivindicando por melhorias dentro da prisão. Essa arriscada estrutura de poucos dias, porém recheados de acontecimentos, não cansa o espectador, pelo contrário, garante a fama da Netflix de não deixar que ninguém consiga parar de maratonar uma série.

A complexidade das personagens chega ao ápice, pois todas as mulheres em destaque são mostradas sem maniqueísmos, com falhas e acertos, com muita inteligência e ideias profundas, indo além do que a sociedade pode muitas vezes supor como feminino. No auge de uma situação extremamente complicada, todas lutam do jeito que sabem para sobreviver ao caos.

Este, o caos, também é bem orquestrado. Apesar de muitas ações em um curto espaço de tempo, o roteiro não se perde e consegue amarrar bem as ideias em cada capítulo, deixando pequenos cliffhangers para o próximo episódio. Não há enganação. O público deseja saber qual será o fim da rebelião, mas fica muito claro que a temporada inteira irá se basear nisso, o que causa no espectador a mesma sensação que as presidiárias sentem. Angústia, com doses bem medidas de ação, sem diálogos expositivos, é preciso olhar com atenção para cada mulher na tela, pois ela pode ser a chave para o fim dos conflitos.

As atrizes também são um destaque da quinta temporada. Todas demonstraram amadurecimento em seus papéis, mas o destaque dessa vez vai para Danielle Brooks, a Taystee Jefferson. O caminho que a artista escolheu para expor o luto da personagem foi certeiro, conseguindo mesclar expressões de mágoa e dor, porém astúcia e poder de liderança para encarar as consequências de suas ações. Em seus olhares profundos para a câmera e para as colegas de prisão, o público enxerga verdade e uma fé cênica inabalável.

Nestes novos episódios, Taystee é a protagonista e Brooks soube aproveitar cada segundo na tela, sem desperdiçar gestos, trazendo novas entonações de voz –  antes mais leves e brincalhonas – e agora cobertos de posicionamento firme e um forte amadurecimento. Os resultados alcançados pela persona na trama importam menos do que sua trajetória. Se o olhar recai para o caminho trilhado por Jefferson, nota-se a evolução da personagem.

Por fim, outro fator positivo é a força do patriarcado que busca oprimir a força das mulheres, mas não sem muita luta. A sensibilidade da direção conta muito nesta hora. A câmera passa cuidadosamente pela mulheres em horas de luta e nos momentos de dor como, por exemplo, (SPOILER ALERT, NÃO CONTINUE SE NÃO ASSISTIU!!!) quando os policiais entram em Litchfield e encontram uma Soso (Kimiko Glenn) resoluta, firme de que não quer abandonar a biblioteca feita em memória de Poussey. Num contra plongê, olhamos para a personagem com carinho e admiração, por mais chata que ela possa parecer, ela sabe protestar e não sai sem resistir, sendo carregada pelos oficiais.

São nesses toques que mesclam brutalidade e leveza que Orange is the New Black consegue capturar a essência da força feminina, a luta diária para com o sistema e a importância da união entre as mulheres. Quando juntas, elas podem fazer o que quiserem! Ainda que a quinta temporada não seja a melhor de todas, o posto ainda fica com a sua anterior, os novos episódios são bem feitos, conseguem segurar a onda de narrar 72h em 13 capítulos, traz interpretações de encharcar os lencinhos e deixa, mais uma vez, o público ansiando por mais, com um novo e tenso cliffhanger.

Santa Clarita Diet – a comédia mais desconfortável e sem graça que você já viu

por Enoe Lopes Pontes

Drew Barrymore em um seriado da Netflix sobre zumbi e assassinatos em um subúrbio dos Estados Unidos, tudo isso em um clima de humor sombrio? Parece uma premissa extremamente instigante e curiosa por condensar gêneros distintos, uma atriz já tão conhecida no cinema e uma empresa que produz séries populares. Porém, a qualidade de Santa Clarita Diet para por aí.

 

Criada pelo produtor Victor Fresco (Meu nome é Earl), o seriado conta a história de uma família comum, de um bairro de classe média estadunidense, que um dia precisa lidar com o fato de que a progenitora, Sheila (Barrymore), virou um zumbi. Para introduzir o público para esta realidade a narrativa conta com doses generosas de escatologia gratuita usada apenas para provocar a graça. A quantidade de vômito que a “mamãe zumbi” despeja no piloto é imensa e totalmente desnecessária porque o efeito cômico não cola, justamente por parecer forçado e bobo.

Falando no piloto, este é o mais sofrível, pois ele é o que mais segue a lógica do nojento exagerado, porém não é somente isso. O primeiro episódio não tem ritmo, os atores principais (Drew Barymore – mãe, Timothy Olyphant – pai; e Liv Hewson – filha) não tem dinâmica, muito menos química e deixam o texto morrer em cada fala e isso faz com que cada ator que comece a dizer o texto precise recuperar o fôlego o tempo inteiro. A narrativa do 01×01 também não favorece os artistas. Os diálogos e as imagens são muito expositivos em diversos momentos, como na cena em que eles mostram Sheila comendo a carne crua e “dando uma aula” do porquê está fazendo aquilo.

 

Apesar de todos estes engasgos, os episódios seguintes conseguem amenizar a reputação da série e até criar uma curiosidade no espectador, que se pergunta qual o motivo da protagonista ter virado um zumbi e qual será a cura para a moça. Além disso, a química de Olyphant e Barrymore vai se ajustando episódio a episódio. Eles parecem compreender, aos poucos, quem são aquelas personagens, suas motivações e a vida pregressa do casal, o que faz as cenas dos dois juntos crescerem consideravelmente.

Santa Clarita Diet começa um tanto desastrosa por não conseguir se segurar em nenhum quesito técnico. O roteiro, apesar de ter uma história boa, tem uma narrativa que subestima o público e que não consegue ser engraçada, mesmo sendo uma comédia; tem atores inseguros, que dão a impressão de que começaram o trabalho de ator no piloto; ou porque a direção é preguiçosa e entrega sequência atrás de sequência, cheia de imagens previsíveis, fazendo com que o espectador antecipe o que vai acontecer.

 

Entre os episódios 01×04 (O turista sexual) e o 01×06 (Atenção aos detalhes), os acontecimentos parecem mais justificáveis e a narrativa segue algum caminho. As personagens precisam de alguma resposta, as músicas casam com a atmosfera das cenas, – porque sim, nos episódios iniciais é possível notar uma falta de coerência das canções com o conjunto de sequências na tela – os atores não deixam o ritmo de lado e deixam os diálogos mais afiados. Ainda não é o suficiente, mas fica uma sensação de que a série pode crescer. Do 01×07 (Será estranho ou Desrespeitoso) até o 01×09 (O livro!), a qualidade é inconstante. Ainda que eles consigam manter a curiosidade de quem assiste.

Após construir toda uma situação (sem spoilers) lógica, inserindo novas personagens para ajudar no caminho da protagonista, entregando pistas para o mistério da temporada, retirando algumas figuras, parecendo mostrar que há um esforço para o crescimento da qualidade técnica – planos mais elaborados e diferentes, dando mais ação; uma procura em mostrar faces diferentes das personas em cena para dar a elas mais complexidade; banda sonora coerente e etc – Santa Clarita Diet entrega uma das piores season finales já produzidas.

 

O mais comum em uma série de televisão que possui um mistério é um conjunto de tensões crescentes com um cliffhanger no final, para que os espectadores fiquem curiosos e voltem na temporada seguinte. O que ocorre em Santa Clarita é um desgaste do tema e da proposta do seriado tão forte que eles abandonam soluções precisas para a protagonista para forjar uma tensão sem sentido e terminar com uma tentativa de final surpreendente. Isto porque a solução estava quase pronta e a Netflix provavelmente deseja continuar com o projeto.

 

Talvez se Santa Clarita Diet fosse uma minissérie o desgaste da história seria menor, o trabalho de pré-produção fosse mais cuidadoso e houvesse mais empenho em trazer uma primeira temporada mais digna. Mas tudo isso é apenas elucubração. A sensação ao terminar a season 1 é de frustração e um desejo que a segunda parte da história seja contada com uma técnica mais bem pensada: não apenas plano geral e close o tempo inteiro, mais ritmo cômico, melhor entrosamento do elenco, mais expressões faciais e menos artificialidade dos atores, escolhas que façam sentido e não apenas queiram causar choque gratuito – o público já entendeu que Sheila gosta de comer humanos batidos no liquidificador – mais comédia e menos sonolência.

Nota: 4,0

Freaks and Geeks e os seus 18 episódios que deixaram saudade

por Enoe Lopes Pontes

Bad Reputation tocando no último volume! Assim começa mais um episódio da saudosa série Freaks and Geeks. Em junho de 2016, a Netflix disponibilizou a primeira e única temporada de um dos seriados teens mais cultuados da história da televisão. Criada e produzida, entre 1999 e 2000, por Judd Apatow (Ligeiramente grávidos) e Paul Feig (Missão madrinha de casamento), o elenco do programa conta com dois atores que seriam parceiros dos cineastas no futuro. Eles são nada mais nada menos que James Franco (Homem-Aranha) e Seth Rogen (Vizinhos).

 

A trama é bem simples em sua primeira camada. O velho sinal toca, as angústias chegam, as notas de uma prova surpresa são recebidas e a menina mais bonita do colégio pode aparecer no intervalo da aula, a qualquer momento. Porém, Freaks and Geeks é mais do que isso. Os temas explorados dentro do enredo são complexos e até além de seu tempo, como é o caso de uma garota interssexual, tratada de forma muito clara e delicada.

 

Mas, o que mais chama a atenção no programa, são suas personagens e como a sensação de ser adolescente é tão bem retratada. Passada no início dos anos 80, a história mostra uma garota chamada Lindsay Weir (Linda Cardellini), que perde sua avó e passa a agir de forma diferente, um pouco mais solta e despreocupada, se aproximando da galera mais rebelde da escola, como o casal revoltado Daniel (Franco) e Kim (Busy Philipps), o músico chapado Nick (Jason Segel) e o caladão Ken (Rogen). Esses são os Freaks.

 

Paralelamente, a narrativa também foca no irmão da Lindsay, o Sam Weir, nerd de carteirinha, que está sempre acompanhado de seus fiéis escudeiros Bill (Martin Starr) e Harris (Stephen Lea Shepphard). Contudo, ele precisa se livrar desse rótulo para conquistar sua crush suprema, a líder de torcida Cindy Sanders. Esses são os geeks.

Entre uma aventura e outra, algumas vezes vemos essas turmas se encontrarem e esses momentos talvez sejam os pontos altos da narrativa. Existe nos dois núcleos uma dinâmica muito bem formada, que consegue demonstrar os fortes padrões existentes dentro de grupos estereotipados e, ao mesmo tempo, as diversas individualidades dos jovens, os arrebatamentos juvenis, os sentimentos exagerados, a necessidade de ser ter voz, a falta de compreensão dos pais.

 

Para além do simpático e afiado elenco, da dinâmica das cenas e do roteiro sensível e bem amarrado, nos 18 episódios de Freaks and Geeks, o espectador é brindado com uma banda sonora clássica dos anos 80, com uma mistura de rock`n roll pesado e os últimos resquícios das músicas discos, que davam seu adeus nas festas do período.

 

Apesar de ser cultuada pelos fãs, que até hoje permanecem desolados pelo fim tão prematuro da série, e as suas qualidades indiscutíveis, existem alguns defeitos para serem pontuados. Apesar de se saber que para 1999 o conteúdo era avançando e que a narrativa se passa há mais de trinta anos, algumas falas e cenas descem rasgando a garganta. A necessidade da protagonista de ter qualquer namorado, a forma como Kim Kelly é desvalorizada em alguns momentos e seu namorado loser tendo um destaque desnecessário.

 

A forma como algumas meninas e meninos se portam são atrasadas e tudo isso é entendível pelo contexto da obra. Então, basta respirar fundo e aproveitar as confusões, desventuras e emoções de Freaks and Geeks e chorar muito quando o episódio 18 terminar. Quem sabe algum canal streaming salva o seriado? Nos dias de hoje, sempre há uma esperança.

Stranger Things – Bem-vindos de volta aos anos 80

por Enoe Lopes Pontes

Em 1983, numa pacata cidadezinha dos Estados Unidos (Hawkins, Indiana), um garoto chamado Will Byers (Noah Schnapp) desaparece misteriosamente. Ao mesmo tempo em que uma criança some, uma outra surge também de uma forma estranha. Suja e com roupa de hospital, a garota Eleven parece estar fugindo de algo muito ruim.

A partir deste plot, a história de suspense se inicia. De um lado, a mãe de Will, Joyce (Winona Ryder), procura o menino desesperadamente e entende que algum fenômeno sobrenatural está ocorrendo na cidade. Do outro, os três amigos dele, que mais parecem ter saído do filme Goonies, correm para tentar descobrir o que aconteceu com o garoto.

Criada pelos irmãos Ross e Matt Duffer (Hidden), a série, que é uma produção da Netflix, investe pesado no clima dos anos 80 e acerta em cheio. O espectador sente uma mistura de referências passando por sua cabeça, desde Steven Spielberg, fitas de rock e Dungeos and Dragons até em obras de Stephen King. A sensação de estar assistindo a um filme de terror de 36 anos atrás é constante. Cada detalhe faz o público embarcar nessa ideia temporal.

Essa impressão que a série causa vem de uma direção de arte, trilha, edição, figurinos e roteiro muito bem pensados com esse objetivo. Desde os créditos iniciais, com uma letra típica do período, dos bonés, camisetas e bicicletas dos meninos, das músicas tensas e aquele rock da época (The Clash, Joy Division). Atenas de televisão que precisam ser ajeitadas e telefones com fio, até as falas sobre os jogos RPG e a quantidade de cigarro que o elenco adulto fuma.

Porém, apesar da grande qualidade de ambientação do programa, a melhor coisa de Stranger Things são os Raccords. E o que seria isso? É a coerência entre uma cena e outra, a ideia de continuidade através de uma ação. Strager Things brilha nesse quesito, trazendo planos que puxam uns aos outros. Seja com a imagem ou com o som, a série faz o espectador mergulhar na história de forma contínua e, para os mais sensíveis às questões técnicas, vibrar com os magníficos raccords.

Outro fato de destaque do seriado é seu elenco, principalmente a já conhecida Winona Ryder e os jovens atores mirins, que interpretam o grupo de crianças que busca encontrar Will. Seja quando os núcleos se encontram ou quando estão separados, a dinâmica em cena é forte e a construção das personagens equilibradas. Os diálogos fluem quando tem uma cena com Ryder ou com o quarteto infantil. Não foi à toa que a série acabou de conquistar o SAG 2017 de Melhor Elenco de Série de Drama.

Apesar de ser um programa com mais pontos positivos do que negativos, Stranger Things peca num único quesito, que pode incomodar fortemente em alguns momentos. Talvez na sua busca por remeter aos anos 1980 ou falta de criatividade mesmo, o enredo do seriado é extremamente óbvio e é possível até adivinhar algumas falas. A sensação de deja vu é constante e o espectador consegue sacar rapidamente quais serão os próximos eventos da história ou, até mesmo, o diálogo de algumas personagens.

No entanto, a obviedade da narrativa não atrapalha a fruição ou apaga os tantos outros elementos bacanas do produto. Strager Things, se continuar nesse ritmo, promete ser uma das melhores séries dos próximos anos. Depois de ter contato com os oito episódios da primeira temporada, resta esperar a próxima temporada e descobrir quais serão os seres fantásticos e assustadores que aparecerão em Hawkins.

As 05 melhores aberturas de séries

por Enoe Lopes Pontes

A primeira coisa que pode ficar na cabeça de um espectador de seriados é a abertura da série. Quando bem realizada, pode causar diversas sensações no público, como empolgação para o começo do novo episódio, lembranças de cenas anteriores ou até mesmo aquela nostalgia quando se revê uma temporada.

As aberturas são algo bastante marcante dentro do universo de narrativas seriadas e algumas delas são sensacionais, cheias de dinamismo, criatividade e ainda capazes de captar a essência do programa. Pensando nisso, o Série a Sério traz agora uma lista com a cinco melhores aberturas de séries de todos os tempos!! Quais os critérios? Conexão com a narrativa, dinamicidade, edição e música. Depois de conferir a seleção, conta para a gente o que achou! Faltou alguma? Achou a seleção bacana? Comenta!

 

1. Lost Girl (2010-2015) – Bo (Anna Silk) é um súcubos e passa a maior parte de sua vida sem saber exatamente quem é. Após um evento específico do piloto, ela começa a desvendar os mistérios do passado e luta para ter um futuro e se posicionar nesse novo mundo que acabou de ser revelado. A abertura do seriado da Showcase mostra um pouco da angústia, dos poderes e da forte personalidade da personagem. Em apenas trinta segundos, o espectador consegue captar o ritmo da série e a energia da protagonista.

2. Bewitched (1964-1972) – Estrelada pela carismática Elizabeth Montgomery, Bewitched, conhecido no Brasil como A Feiticeira, conta a história da bruxa Samantha Stevens, que casa com o humano Darrin, e faz de tudo para se encaixar no cotidiano da espécie do marido, mas, é claro, não consegue. A abertura da série, além de ser bem fofinha, é uma animação realizada pelo estúdio Hanna Barbera. Com um toque de humor, a sequência capta o divertido e agitado dia a dia do casal, deixando Samantha e seus poderes em destaque. Com uma música que dá ritmo a abertura e um resumo bem enxuto da atmosfera do seriado, a abertura de Bewitched consegue trazer uma história, curtinha, é bem verdade, mas uma história bacana do que poderia ser mais um dia de Sam e Darrin.

3. Game of Thrones (2011-) – E o terceiro lugar fica para a abertura de uma das mais assistidas séries de todos os tempos. Nela, o público vê todo o mapa de Westereos, bem como todas as terras nas quais as personagens terão alguma aventura, batalha ou buscarão conforto. A complexidade dela é tão grande que os realizadores do programa demoraram dois anos para finalizá-la. Outro detalhe interessante é que o escritor da obra original, G.R.R. Martim, desenhou todas regiões para a equipe. Bem elaborada, a chamada de GOT deixa bem mais claro para o público onde as personagens estão e quanto mais ao sul ou ao norte fica alguma região. Além disso, em cada temporada os lugares podem mudar, estando presentes ou não, ou cambiando a sua aparência.

4. True Blood (2008-2014) – Criada por Alan Ball (Six feet under), True Blood é uma série de vampiros. Não, não são aqueles que brilham no sol ou usam anel. Numa realidade na qual todos sabem da existência das criaturas da noite, romances, batalhas e brigas por poder acontecem durante sete anos. Apesar de trazer vários tipos de seres estranhos e/ou assustadores, a abertura do seriado foca no que para eles parece ser o pior de todos, os humanos. Apesar de não buscar resumir o conteúdo narrativo do programa, a essência dele está presente em cenas macabras, tensas, violentas e animalescas.

5. Dexter (2006-2013) – Na melhor abertura de todos os tempos, o espectador vê um Dexter aparentemente simpático, fazendo algo muito comum, começando seu dia. O rapaz acorda, prepara o café da manhã e se veste. Tudo isso poderia ser banal se não houvesse diversos significados em cada ação da personagem. O protagonista é um serial killer com um gosto peculiar para suas vítimas: outros serials killers. Assim, em cada plano, o público tem referências de sangue, estrangulamento, cortes, pele, carne. Por conseguir capturar a essência da personagem e da história sem ser óbvia e ser tão elaborada, a abertura de Dexter ganha o primeiro lugar no ranking.

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