Terror em Série: American Horror Story – O Apocalipse Chegou

Após sete meses de especial American Horror Story (2011-), chegamos, finalmente, na temporada que deu origem a dedicação de sete meses desta coluna, a oitava season do seriado: Apocalipse. Com altas doses de crossovers, personagens ressuscitando, um crescimento de camadas nas histórias já conhecidas, um aprofundamento na mitologia do produto queridinho de Ryan Murphy; a obra deixou os fãs com muitas expectativas e conseguiu abarcar algumas delas.

A espera principal era o retorno de Cordelia Goode e de todo seu Coven. Elas foram protagonistas da terceira temporada que, apesar de não ser uma das melhores no quesito narrativo, com certeza foi uma das mais potentes no que diz respeito a criação de mitologia. Outro crossover de seasons anteriores era o de Murder House, a primeira história do universo de AHS. No final dela, inclusive, vê-se uma criancinha satânica e, desde então, ficou uma promessa velada de se fechar este arco narrativo, iniciado em 2011.

 

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Apocalipse é a mistura dessas duas temporadas: as mulheres poderosas, bruxas do já consagrado Coven versus o anticristo, o garoto demoníaco que cresceu e agora aparecer para cumprir sua missão na Terra: a de destruir a humanidade. A divulgação do seriado mostrou pouco e talvez tenha gerado nos fãs certa expectativa de já começar vendo no primeiro episódio Cordelia e todas as outras bruxas chegando com tudo.

Mas, não foi o caso. Murphy, como sempre, quebrou as expectativas e as personagens apresentadas no episódio de estreia eram todas novas. Sarah Paulson, por exemplo, interpreta Wilhemina Venable, uma mulher misteriosa e sádica que controla a casa onde alguns poucos afortunados conseguem se refugiar do apocalipse. Este pequeno início já começa dessa maneira, de forma desesperançosa, mostrando o fim do mundo sem dó ou piedade.

 

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O primeiro episódio consegue ser existoso e mantém um ritmo frenético. Mal conhecendo as personagens é difícil se apegar a eles, mas, a total falta de história prévia vem aqui como uma maneira de acrescentar camadas posteriores para a trama e pode prender o público pela curiosidade. Alguns dos atores já conhecidos de outras temporadas como Evan Peters, Leslie Grossman e Billie Lourd aparecem no meio do fim do mundo, desesperados , tentando se salvar.

Diferentemente de alguns outros anos da produção, em Apocalipse os rumos narrativos acontecem de maneira direta e a série não tem medo de arriscar em nenhum momento. (ALERTA DE SPOILER)!!!!! É claro que, com o desfecho da trama, fica muito fácil de entender a falta de receio em ter medidas tão drásticas durante todos os episódios. Contudo, a sensação de que nada dará certo em nenhum momento pode trazer uma emoção a mais, principalmente, para os que já conhecem muitas das escolhas feitas pelos roteiristas da obra.

 

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Um ponto muito importante de se apontar é a maneira  que o seriado mantém a estética de cada temporada, sem perder a uniformidade de cada episódio. Pode-se ter a sensação de estar retornando para cada um dos universos já vividos pelo espectador. A direção de arte, os tipos de enquadramentos, os figurinos, tudo isso se casa perfeitamente com a energia e a proposta de Apocalipse.  A única diferença é que tudo que envolve as bruxas de Conven tem ainda mais movimento de câmera, mais closes, mais neblina e certa palidez e falta de saturação, enquanto tudo que tem com as personagens de Murder House é ainda mais escuro, mais sombrio. Já os cenários originais da oitava temporada, trazem ou um vermelho forte, bem típico de tramas com demônios, ou ambientes aparentemente sem vida, sem cores, neutros de qualquer caracterização que demonstre personalidade.

O mais importante de destacar dessa temporada é a habilidade usar os crossovers amarrando-os bem na trama, sem quase nenhum gratuidade e ainda dando um bom fan service. Apocalipse é eficiente em contar sua história e tem uma trama bem amarrada que possui um desfecho um pouco previsível mas, não desapontante. Como sempre, algumas pontas são, propositadamente, deixadas soltas para esperarmos por algum tempo a volta dessas bruxas tão poderosas e girl power. Aliás, haja empoderamento feminino!!!! Talvez, essa seja a temporada com mais personagens mulheres que são interessantes e saem de suas zonas de conforto para se unirem entre si, cada uma de sua forma, com seu talento. Já fazia algum tempo que sr. Murphy não servia uma season com tantas qualidades. Agora é esperar pela safra 2019. Até lá!

 

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