Maratone como uma Garota! – Liberdades e prisões em Vis a Vis

Muitas (boas) produções espanholas têm marcado presença nas listas de maratonas de muita gente por aí. Nomes como Las Chicas del Cable (As Telefonistas, em Br) e La Casa de Papel apresentam não somente narrativas instigantes, e viciantes, mas também uma ampla diversidade de questões relativas às personagens femininas. Em Vis a Vis, encontramos um cenário muito familiar, do qual nos despedimos recentemente com Orange Is The New Black, finalizada este ano, que é a penitenciária feminina. A densidade das personagens e o desenrolar das suas histórias vão revelando nuances de personalidades e borrando fronteiras morais que poderiam parecer óbvias, levando o espectador a questionar muitos juízos pré-definidos. Mesmo se você ainda não tenha assistido, talvez esse texto possa te dar um empurrãozinho.

Apesar do plot estruturar-se numa prisão, os ares, a estética e as tramas são bem particulares. E para quem sofre de ansiedade para a 4ª temporada de La Casa de Papel, uma boa notícia: além de contar com os mesmos responsáveis (Alex Piña é o criador de LCDP e cocriador de Vis a Vis), ainda encontramos no elenco duas grandes atrizes: a maravilhosa Najwa Nimri, a inspetora Alícia Sierra de LCDP, que vive, em Vis a Vis, a “vilã” Zulema Zahir, e Alba Flores, a rainha do matriarcado Nairobi, que vive aqui a cigana Saray Vargas aqui. Dentre muitos tópicos que poderíamos explorar, a Maratone como uma Garota! deste mês discute um pouco como a noção de liberdade na produção transita entre sonho, esperança e perversão, principalmente a partir das duas personagens principais.

 

 

O título de “Orange Is the New Black Espanhola” definitivamente não faz jus ao seriado. Apesar de ambas oferecerem personagens e situações empáticas, caricatas e por vezes cômicas, retratando a diversidade que representa o mundo das prisões, o argumento de Vis a Vis, com um tom mais dramático e tenso, gira em torno, entre outros temas, da liberdade e como esta pode se tornar uma perversão. A história inicia-se com a entrada de Macarena Ferrero (Maggie Civantos) na prisão Cruz del Sur, que, enganada e apaixonada pelo ex-chefe, comete crimes fiscais. Em seus primeiros minutos encarcerada, Macarena conhece Zulema (Najwa Nimri), uma detenta geniosa e bastante perigosa. Ao encontrar um chip de celular que continha informações sobre uma grande quantidade de dinheiro escondida, a vida da mocinha e de sua família se transformam em uma montanha russa de perigos e mortes. O trunfo da série, no entanto, está mais em Zulema, quem tem uma construção menos estereotipada e mais bem desenvolvida. 

Macarena começa como a loirinha ingênua e quase inocente (um estereótipo bem típico de “boa moça”) e vai transformando-se numa bad girl* até se tornar uma das chefes da prisão. Em um primeiro momento, a protagonista até tenta ganhar força, mas continua à sombra de uma caricatural transformação de cárcere. Porém, ela começa a ganhar bons contornos a partir de meados da 2ª temporada, quando atinge um patamar em que “mal” e “bem” já não prevalecem, mas a condição humana de imprecisão e inconstância. É aí que a série também vai se mostrando mais atenta a essas falsas definições de certo ou errado. A princípio, Macarena apenas queria provar sua inocência e sua liberdade era mais de uma moral tradicional. É descobrindo como a sociedade e a justiça são bem mais sujas do que parece que seu ideal e a moral da liberdade caminham para outro sentido: entre querer sair, não ter aonde ir, não ter mais as âncoras de antes. A relação de Macarena e de Zulema tem por base, justamente, a ânsia de livrar-se dos encarceramentos, nas fugas e na prisão.

 

 

“O elfo do inferno”, como se autodefine Zulema, é a personagem mais cheia de sutilezas e tensões. Inteligente, ágil, má e sem muito afinco a sentimentalismos, a única coisa que lhe interessa é a liberdade. Seus diálogos sempre conotam, entretanto, que a liberdade é muito mais complexa do que parece. Ela quer sair da cadeia, mas não quer uma vida comum, pois como afirma “ama a vida mais que tudo”. O modo como a narrativa estrutura esta personagem se mostra bem interessante pois temos sempre muito claro que ela é humana, não uma psicopata monstruosa e fria, mas também suas ações não se justificam por conta de traumas, de sofrimentos, ainda que os haja.

Ou seja, a sua humanidade não se oculta na maldade (que ela própria não nega) e nem se apóia numa tentativa de redenção, como encontramos em muitos outros antagonistas. “Vilã” não parece ser um termo aplicável, visto que a vilania está mais nas estruturas do que nas pessoas. Zulema faz o que for necessário para ser livre. Sempre astuta, ela também reforça como os lugares na prisão – o encarcerado e o encarcerador – não estão dados. Há, porém, momentos em que o roteiro parece desfazer-se do seu peso na narrativa, forçando um escanteio mal sucedido. Grande parte da potência e sedução de Zulema (que conquistou a maior parte dos fãs de Vis a Vis) está na carga da atuação de Najwa Nimri, que maneja muito bem ironia, coragem, comédia e terror. 

 

 

A liberdade como uma espécie de perversão está presente o tempo inteiro e é um fio condutor no roteiro. Essa ideia de “perversão”, que foi também discutida pela própria Nimri em algumas entrevistas, nos diz sobre como este valor por transformar os sujeitos radicalmente, tornando-se uma obsessão. A vontade de liberdade e a atração que exerce rege não somente Zulema, mas também outras encarceradas. Muitas vezes, estar fora não é ser livre, como percebe Soledad Nuñes (María Isabel Díaz) que, condenada pelo assassinato do marido abusivo, percebe que o mundo fora das grades só lhe traz dor e culpa, e que lá não tem ninguém. Já Terê (Marta Aledo), uma viciada em heroína, começa a questionar o quão libertar-se do vício tem altos preços.

É bem verdade que Vis a Vis traz também algumas representações bastante redutoras e problemáticas para algumas mulheres da trama, especialmente a diretora Miranda (Cristina Plazas), que permanece alienada e manipulável e seu intento de humanizar a cadeia, ao invés de fortalecer, a enfraquece. Sororidade e feminismo não são o ponto mais forte desta produção, que escorrega em alguns momentos, colocando disputas um tanto misóginas entre as presas. Muitas relações amorosas são também mal desenvolvidas e algumas situações de violência sexual e estupro não têm um bom tratamento. Porém, a série consegue explorar alguns pontos importantes na trama e é muito viciante. 

 

Terror em Série – Top 5 Girl Power no Terror

 

O universo das séries de terror pode traduzir muito bem a realidade das mulheres, seja do constante medo em suas vidas, como também no poder que possuem de serem fortes, bruxas, de ser o que desejarem. Pensando nesta potência, o Série a Sério separou uma lista com seriados que trazem mulheres que são protagonistas, que lutam para traçar seus destinos e conseguem!

 

Eis o top 5:

 

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5 – Handmaid’s Tale (2017 – Atualidade)

 

Inspirada nos livros de Margaret Atwood, a produção mostra um universo distópico nos Estados Unidos, após um atentado contra o presidente. Apesar de trazer momentos que parecem mais sádicos do que empoderadores e de marcar a ligação da mulher com a maternidade, o seriado tem seus elementos feministas. Toda a construção do poder através da sororidade, evoca uma crença na força da união feminina e da inteligência delas para agir estrategicamente, sem esquecer de que a violência também existe dentro delas. Depois do final de sua última temporada, pode-se dizer que ainda há esperança das mulheres prevalecerem e lutarem e pararem de sofrer gratuitamente em todos os episódios.

 

 

4- Charmed ( 1998 – 2006)

 

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Em sua época, as irmãs Halliwell trouxeram um novo pensamento sobre sororidade no sentido mais literal possível. Apesar de seus interesses amorosos e conflitos com os mesmos,  o que mais importava em sua trama era a amizade das três e como elas protegiam umas as outras. A irmandade delas era o centro da questão! O poder das Três nada mais era que o poder da união feminina, inclusive, muitas referências da história vinham do pensamento de sagrado feminino e da energia da natureza como elo mágico na Terra.

 

 

 

3 – American Horror Story: Coven

 

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O seriado de Ryan Murphy tem um histórico de construir boas personagens femininas, mas, sua terceira temporada supera por construir uma mitologia própria em torno da potencialidade do universo das mulheres. A força que existe em cada uma de nós e como só podemos nos fortalecer e sermos mais poderosas quando descobrimos que não precisamos estar à sombra de ninguém para sermos alguém. Além de empoderamento, Coven nos traz muitos outros questionamentos, em especial como o medo que as mulheres têm de envelhecer e  de serem substituíveis depois da perda da juventude. Além disso, muitas vezes, há o preço altíssimo para se entrar em padrões de beleza, ser poderosa e ainda ser incentivada a disseminar a rivalidade feminina, pois este é o maior veículo para deixá-las enfraquecidas.

 

 

 

2 – Chilling Adventures of Sabrina

 

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O universo das bruxas é mais uma vez explorado, só que, dessa vez, de maneira ainda mais sombria. Talvez, menos sombria do que Coven, mas, dentro do conteúdo adolescente, Sabrina traz tons menos ingênuos e busca construir uma linha de pensamento feminista de maneira mais lúdica. A série consegue atingir seu ponto porque trata de feminismo de maneira sutil, mostrando em seus vilões homens, símbolos de opressão masculina e a forma como o ego dos homens afetam a convivência social de forma negativa. Parece didático, e em sua primeira temporada até é, mas, aos poucos, a produção toma forma e traz questionamentos cada vez mais potentes. Eis o trailer da segunda parte:

 

 

 

1 – Buffy – The vampire slayer

 

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Nos anos 1990, surgiu um dos maiores fenômenos televisivos da história dos Estados Unidos: a caçadora de vampiros adolescente! Ela amava homens, mas, amava ainda mais lutar contra vampiros e seres sobrenaturais. Tudo bem que esse era o fardo de Buffy Summers, não ser uma adolescente normal. Contudo, era uma das primeiras vezes que via-se uma mulher escolhida. Summers era forte, protegia seus amigos, era inteligente e com um humor sarcástico. Ela não era flawless, tinha seus defeitos, seus desejos, era bonita, mas não sexualizada. Ela era tudo que toda garota achava que não poderia ser e que, depois de  Buffy, entendeu que  tinha o poder de ser dona da sua própria vida. A caça vampiros mais badass de todos os tempos segurou sua balestra e lutou contra muitos lords e homens vampiros, mostrando que era muito mais que uma loirinha cheerleader.

 

https://www.youtube.com/watch?v=jP-lbMSirsA

 

Comédia em Série: “Os Normais” e o legado de Fernanda Young

No dia 25 de agosto de 2019, acordei com a notícia da morte de Fernanda Young. Não pude acreditar na partida de uma mulher tão viva em minhas memórias. Eu ainda sonhava que nos conheceríamos!! Mas, quem sabe numa outra vida? Passei o dia pensando em seu trabalho, no quanto ele me inspirou e me mostrou coisas que eu nem imaginava em plena que uma mulher podia falar e fazer, me mostrou que ousar era possível. Em sua homenagem, a coluna de hoje falará sobre sua obra mais famosa e querida pelo público: Os Normais.

A série foi exibida entre 2001 e 2003, nas noites de sexta-feira, na Rede Globo. Eu lembro de assistir ao seriado escondida, com minha tia, e de não entender metade das piadas, mas adorar o quanto aquilo parecia novo e divertido. A abertura icônica, com todos aqueles rostos brasileiros e diferentes entre si, a música brega que dizia “Você é doida demais!”. Por sinal, o cantor e compositor da música, Lindomar Castilho, chegou a ser preso por matar a própria esposa que tinha um caso com o primo do cantor, mas foi solto em pouco tempo. Peço perdão aqui pela curiosidade traumatizante!!!

 

 

O casal Rui e Vani eram protagonistas da produção e dos diálogos mais mirabolantes, sem noção e verdadeiros que a nossa TV já viu. Interpretados por Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães, que estavam no auge da juventude e dos seus corpos sarados, o casal vivia semi nu em cena, expondo o corpo, a neurose e mau caratismo do par favorito dos brasileiros. Noivos por toda a eternidade, representavam um arquétipo moderno dos casais da virada do século XXI, do desapego e da liberdade. Isso sem largarem um do outro, claro.

Usando o formato de sitcom, Fernanda Young e Alexandre Machado, seu marido e parceiro em diversos trabalhos, brincavam com a linguagem, colocando Rui e Vani para conversar com o público e até para convidá-los a participar de suas discussões sem sentido. Chegando a fazer piadas sobre a qualidade da série, sobre a emissora e até sobre os seus espectadores, Fernanda nunca subestimou sua audiência. Lembro que a comédia era uma das coisas mais comentadas da época e que marcou pela sua ousadia. 

 

 

Fernanda fez outras diversas séries, como Os Aspones” – uma espécie de The Office brasileiro que talvez fosse sofisticada demais para o seu tempo-; Minha nada mole vida, Comédia da Vida Privada e sua mais recente Shippados. Ela também atuou, escreveu romance, poesia, apresentou programa de TV e falou o que muita gente preferia deixar calado. Foi e sempre será um exemplo de frescor e ousadia, um tapa na cara dos caretas.

 

Especial – Melhores participantes do Masterchef Brasil

por Enoe Lopes Pontes

 

Neste domingo, 25, acontece a final da sexta temporada do Masterchef Brasil para cozinheiros amadores. Os participantes que integram a noite de disputa são Lorena e Rodrigo. Apresentado pela jornalista Ana Paula Padrão, quem decide o resultado são três chefes de cozinha, considerados pelo público e pela crítica, renomados, são eles: Paola Carosella, Henrique Fogaça e Érick Jacquin. O episódio será exibido às 20h, no canal Band.

 

Pensando na popularidade do reality, o Série a Sério preparou uma lista com o melhores integrsntes de todos os tempos, das últimas seis edições do seriado. A decisão foi muito difícil, mas no final, acabamos tendo que fazer algumas escolhas tensas! Confira!

 

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10 – Jiang Pu – Participante da segunda temporada do programa, Jiang conquistou o público com seu jeito doce e as suas referências asiáticas. Concentrada dentro da cozinha, Pu ficou no terceiro lugar do pódio da competição e provocou lágrimas no Twitter em sua saída. Atualmente, ela continua na profissão e possui um restaurante, em São Paulo.

 

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9 – Estefano Zaquini – Com um foco maior para a confeitaria, mas buscando ir bem em todos os tipos de pratos, Estefano foi integrante do primeiro Masterchef Brasil. Após sair do programa, Zaquini estagiou no restaurante de Érick Jacquin, o Tarta&Co. Atualmente, o jovem está perto de se formar em gastronomia e tem um quadro no “Mulheres”, da TV Gazeta. O chefe está nesta lista por ter demonstrado garra, determinação e carisma durante o tempo em que esteve no Masterchef.

 

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8 – Eliane Ribeiro – Treta! É impossível esquecer as polêmicas e confusões que envolveram Eliane, na quinta temporada do Masterchef. Apesar de possuir alguns haters no caminho, Ribeiro sempre demonstrou uma vontade imensa de estar no reality e era leal aos que faziam parceria com ela. Apesar de não ter vencido a competição, chegou perto, ficando em terceiro lugar. Atualmente, a jovem chefe possui um canal no Youtube, chamado Lili e o Mundo.

 

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7 – Lorena Dayse – Finalista na competição da sexta temporada do Masterchef Brasil, Lorena chegou no programa com um discurso potente e coerente sobre a força do Norte e Nordeste e toda a sua vontade de vencer para representar a região! E o desejo ficava estampado em seus pratos, com temperos que faziam jus as suas origens, incluindo o seu amado coentro! Se a competidora irá vencer, somente o futuro dirá, porém sua popularidade já é considerável! Lorena acumula 128 mil seguidores no instagram e quase 10 mil no Twitter.

 

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6 – Haila Santuá – Também integrante da sexta edição do Masterchef Brasil amadores, Haila ficou com o quinto lugar da competição. Ela demonstrou que doçura combinada com determinação podem virar uma arma extremamente forte dentro de uma disputa. Sempre atenta aos colegas, ela conseguiu equilibrar, na maioria das vezes, um bom resultado, junto com um help para os concorrentes de reality. Quem lembra quando ela parou a torta de limão para ajudar Imaculada na fase de seleção inicial? Pois este foi seu jeito de lidar com o Mastechef, mesmo não aguentando a pressão de quando em quando. Santuá não venceu, mas acumulou um belo fandom e uma trajetória muito intensa para recordar e trilhar um caminho bacana. Quem sabe? Vamos acompanhar!

 

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5 – Helena Manosso – Integrante da primeira edição do Masterchef Brasil, Helena começou discreta e foi crescendo em cada episódio, chegando na final com um menu muito elogiado pelos chefes. Apesar de ter ficado em segundo lugar, Manosso se manteve na profissão. Ao lado de seu marido e colega de temporada, o Lúcio, ela comanda a Salt&Pepper, rede de consultoria gastronômica. Helena ocupa a quinta posição, por ter sido uma participante marcante, que brilhava nas provas do reality e que possuía muito carisma e simpatia.

 

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4 – Izabel Alvares – Vencedora da segunda edição do Masterchef Brasil, Izabel chegou no topo do pódio com muita humildade, doçura, foco e depois de assumir certa confiança em si mesma. Sendo eliminada no sexto episódio, ela retornou na repescagem e passou a demonstrar mais segurança e estudo. O resultado foi o troféu que ela tanto sonhava. Atualmente, Izabel possui a marca Magrela, rede de produtos alimentícios saudáveis.

 

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3 – Maria Antonia Russi – A terceira colocada da lista divide opiniões dentro do público do Masterchef. Adorada por uma parte dos espectadores e odiada por outra, ela ocupa esta posição em nosso top 10 por ter sido uma participante que venceu muitos desafios e, assim como Izabel, por ter conseguido dar a volta por cima e ter mais confiança em si mesma. Com um jeito um tanto atrapalhado, Maria era uma integrante engraçada e divertida e que foi demonstrando sua capacidade dentro da cozinha cada vez mais. Na final, ela surpreendeu os jurados montando um menu com bastante personalidade! O que fez com que Russi ganhasse a competição e enlouquecesse seu fandom. Atualmente, Maria Antonia possui um canal do no Youtube, que carrega o seu nome como título!

 

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2 – Cecília Padilha – Favorita de sua temporada, Cecília ficou em sexto lugar na primeira edição do Masterchef. No entanto, apesar desta zebra, ela vinha trilhando um caminho de acúmulo de vitórias e o mezanino era conhecido como o “Camarote da Cecília”. A sua popularidade com o público do programa foi intensa na época e reveberou para o sucesso de seus empreendimentos desde então. hoje em dia, ela escreve para o Prazeres da Mesa e a Revista do Gramado. Padilha também possui um canal, chamado Yes, we cook, que acumula mais de 5 mil seguidores.

 

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1 – Raquel Novais – Participante de uma temporada disputadíssima como foi a terceira edição do Masterchef, Raquel conseguia se destacar com feedbacks muito positivos, mas que jamais abalavam seu comportamento. Sempre humilde e de ouvidos atentos, Novais buscava uma relação amistosa com seus colegas de competição e tentava não entrar nas inúmeras tretas que aconteciam. O resultado foi o terceiro lugar no pódio, que poderia ter sido primeiro se não fosse um pequeno deslize na semifinal. Atualmente, Raquel tem um programa chamado Cozinha Amiga, na TV Gazeta.

Br em Série: A fórmula do sucesso: Cine holliúdy traz a comicidade nordestina e homenagem ao cinema e A TV

Parece que apesar do preconceito e descaso com o Nordeste, a cultura da região ainda é receita de sucesso para as narrativas brasileiras. A Rede Globo demonstra ter entendido isso há algum tempo, pois vira e mexe apresenta narrativas com esse conteúdo, desde novelas, filmes a, mais recentemente, seriados (muitos desses produtos adaptados de realizações regionais). Assim, fomos apresentados a Cine Holliúdy,  trama de dez episódios que trouxe de volta à TV aberta o humor nordestino, mais especificamente cearense. Baseada no longa homônimo de sucesso do cinema nacional, assinado também pelo diretor Halder Gomes, a produção retorna com o personagem Francisgleydisson (Edmilson Filho) e outros atores, para a fictícia Pitombas, cidadezinha do interior do Ceará, onde esse “cabra” sonhador e apaixonado por cinema luta para manter viva a sétima arte que está ameaçada com a chegada da TV.

Tanto a série quanto o filme tem a mesma premissa de homenagear as salas de cinema que movimentavam as cidades do interior, mas que hoje, já quase não existem. Porém, nessa nova roupagem, fica forte a metalinguagem com relação a TV. A narrativa, como a abertura (belíssima e cantada por Elba Ramalho e Falcão) coloca, brinca com essa relação: Qual a diferença da TV para o cinema? Parece um pergunta retórica já que a série reverência a TV e suas próprias produções (novelas da Globo) e o cinema (em especial o cinema regional). O tom nostálgico e a homenagem singela é um trunfo do seriado.

 

 

Para quem acompanhou os filmes, pode ficar tranquilo, que apesar do “mão da Globo” visível na produção, Cine Holliúdy tem uma história nova, mostrando o mesmo Francisgleydisson numa versão, anterior a dos dois filmes da franquia, embora ainda dedicado ao cinema.  Francis aqui vive em Pitombas, onde toca um cinema fixo (Cine Holliúdy) nos anos 1970. O problema surge com a chegada da nova mulher do prefeito, a paulista Socorro (Heloísa Perissé), e sua filha, Marylin (Letícia Colin), que o convencem a comprar uma televisão, a primeira da cidade.

O protagonista logo se encanta pela “platinada” e com nome de “estrela do cinema”, Marylin, e daí surge o romance entre “tapas e beijos” entre eles. A graciosidade e determinação da moça da cidade, em contraponto à ingenuidade e esperteza de Francis dão autenticidade ao romance. Ao longo dos episódios, Francis, seu fiel escudeiro Munízio (Haroldo Guimarães) e Marylin decidem criar seus próprios filmes e reconquistar o público.

 

 

Ao redor deles, atuações da melhor qualidade, como o Prefeito Olegário (Matheus Nachtergaele), que prova mais uma vez o respeito ao interpretar um nordestino, seu assessor (ou capacho) Jujuba (Gustavo Falcão), a primeira-dama Socorro (Heloísa Périssé de volta às telas), e os talentos regionais que fizeram a diferença, como Carri Costa (Lindoso), Solange Teixeira (Belinha) e Frank Menezes (Delegado Nervoso). E é claro, não poderia se deixar de comentar da primorosa narração de Falcão,que também atua como Cego Isaías, com seu sotaque forte dá um aspecto de cordel a narrativa .

 

Ode ao cinema e ao interior nordestino

 

Cine Holliúdy une o bom dos dois mundo: o ritmo rápido (em torno de 25 min), com arcos que se fecham por episódio (trama circular) e que não se enrolam, estilo dos filmes clássicos, com a narrativa simplória, sem tramas muito complexas, típico das novelas. Um história para se distrair, rir e apaixonar pelos personagens.

Os  episódios temáticos são mais uma forma de homenagear o cinema. Em sua saga de herói, Francis lida com situações de filmes de ficção científica, de ação, vampiro, faroeste e até os filmes de luta. Cada aventura dessa vira um filme que ele mesmo produz, e que faz o cinema resistir a TV, pois, em suas palavras, “o povo quer ver filmes com gente do Ceará, e falado em Cearense”.

 

 

Apesar desse clima de descontração, a série não escapa do estilo Globo, com personagens e situações penando para o caricato. A a função de cada personagem é típica e fica explícita logo nas primeiras cenas,  o malandro, o político corrupto, a garota moderna da capital, a fofoqueira, a dondoca, o bobalhão. Porém, a boa atuação, os diálogos, cenários e figurinos caprichados tiram a série do lugar estereotipado e fazem o público se conectar rapidamente.

De um filme de baixo orçamento, que levou mais de 480 mil pessoas aos cinemas, surge uma série, que seguindo o sucesso de produções semelhantes, como Auto da Compadecida e a novela Cordel Encantado, se consagra como mais uma comédia certeira da Globo nas noites de terça-feira,  faixa que teve outras comédias cheias de qualidades, como Tapas & Beijos e Mister Brau. Apesar do horário, Cine Holliúdy exibe um Nordeste colorido, divertido e cheio de aventuras e fantasias que todo mundo pode assistir. O bom resultado trouxe bons ventos, depois do segundo filmes, agora foi confirmada a sua segunda temporada da serie.

 

http://www.adorocinema.com/series/serie-23202/video-19561985/

Crítica: Violência e polêmica são tentativas da primeira temporada de The Boys

por Enoe Lopes Pontes

 

Adaptada da HQ homônima da Wildstorm*, The Boys chega no canal streaming Amazon Prime, com oito episódios. Num clima que mescla sátira e crítica ao espírito heroico tipicamente visto em produtos ficcionais e no imaginário estadunidense, a série possui um estilo claro e marcante desde o seu início. A utilização de temperaturas azuladas é o start para esta percepção da ambientação que já vem desde os quadrinhos e que é um pouco intensificada. A escolha pode criar no espectador a sensação de estar assistindo uma das adaptações da DC para o cinema, por exemplo. Existe algo lúgubre e taciturno no ar. Além disso, o tom remete a melancolia e a angústia retratadas na tela. Um exemplo disso é que a cor do super mais abalado emocionalmente é azul.

Neste universo, no qual o tempo inteiro os humanos acreditam que estão sendo salvos, quem tem poderes está constantemente perturbado e agindo de forma negativa, seja para sociedade ou para si mesmo. A lógica aqui é que os supostos protetores da Terra são os verdadeiros vilões. O ponto alto da qualidade do enredo é que, ainda que haja essa reversão de valores, não ocorre a planificação de suas personalidades. É possível notar as nuances em seus caracteres, a medida em que a trama avança.

 

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No entanto, apesar de uma premissa que chama atenção, The Boys é um tanto cansativa, porque possui uma história óbvia. Cena após cena, já é possível saber o que irá ocorrer, inclusive o final da temporada fica previsível em sua metade. A criação das tensões são perdidas pelas escolhas fáceis que Eric Kripke (Supernatural) e sua equipe de roteiristas fizeram. Mesmo partindo de uma outra perspectiva, a dos “supers” que não estão trabalhando para o planeta de verdade e sim são celebridades, todo o resto é semelhante a qualquer publicação com heróis, incluindo a figura do “mocinho”, Hughie (Jack Quai), sem poderes e injustiçado, buscando uma espécie de vingança.

Apesar deste fator, o como as situações acontecem é o que chama atenção. Existe certa coragem em possuir algumas sequências gráficas de violência e ação, que são o recheio principal deles. É este elemento que dá o tom certeiro do seriado: pinceladas de humor sombrio, desenvolvimento dramático** das personas retratadas e um leve dose de horror com a ação. A expectativa que falta no decorrer dos fatos é coberto pelo nervoso em saber como será o próximo cérebro esmagado, a morte seguinte ou algum tipo explosão.

 

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No geral, o resultado é aceitável e até equilibrado. O plot inicial se sustenta, ainda que seja seguido de caminhos previsíveis, o risco no “como” faz o tempo gasto valer. Um possível destaque é a atuação de Erin Moriaty (Jessica Jones), que construiu a jovem heroína com várias camadas, indo de expressões de ingenuidade até de crueldade e falta de empatia, ela consegue elevar os elementos da escrita e imprimir nos seus diálogos a sutileza e o peso necessários para sua Annie.

 

 

* Em seguida, as HQs passaram a ser publicadas pela Dynamite Entertainment.

** Drama mais no sentido mais próximo do trágico, de situações triste e não do significado atribuído pelas Artes Cênicas ao falar dos gêneros textuais (Épico, lírico e dramático).

Terror em Série: O Escolhido – Homem de Fé, Mulher com a Razão

O cinema brasileiro de terror vem crescendo cada vez mais e nomes como Gabriela Amaral Almeida, Rodrigo Aragão e Juliana Rojas, trazem uma diversidade e características próprias a esses filmes. Produtos de gênero têm cada vez mais espaço e há um crescimento de produção e distribuição.

O público nacional é um dos públicos que mais consome terror no mundo. Mas, ainda existe certo preconceito de muitos espectadores para assistir produtos que lidam com o fantástico e O escolhido traz características que podem ajudar a reforçar essa crença de falta de qualidade nos filmes e séries de gênero brasileiros.

 

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A nova série da Netflix traz uma premissa interessante: médicos tentam extinguir o vírus zika do Pantanal, porém, no caminho, acabam achando uma estranha cidade onde ninguém fica doente, ninguém morre. Parece um bom argumento para ser vendido num pitching, por exemplo. Uma história que quando alguém conta tem sim certo impacto. Narrativamente, fora essa boa ideia, pouco caminha positivamente.

A questão principal de O escolhido são os diálogos. Textos engessados, ditos de maneira robótica, dificilmente conseguirão criar uma conexão com o espectador. Cenas inteiras para explicar acontecimentos, como funciona a cura feita pelo Escolhido. A maneira como a progressão dos fatos acontecem são dispensáveis, isso porque muito do mistério é desnecessário já que de pronto se entende o que está acontecendo na história. O fruto dessa tentativa de criar certo suspense são momentos em que o roteiro busca confundir o espectador, colocar obstáculos para ele demorar de chegar em alguma conclusão.

 

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Então, a série termina sendo um amontoado de explicações que são sempre revogadas ou colocadas em dúvida, mais atuações que despertam pouca crença na mitologia da série. Além disso, as personagens são mal desenvolvidas, o arco dramático de cada uma delas não consegue nem provocar empatia do espectador, nem deixar claro como as mesmas pensam e/ou se sentem em relação aos acontecimentos. Os habitantes da cidade dizem somente coisas clichês, frases de efeito. Os médicos, um pouco mais elaborados, tomam atitudes que movem pouco a trama para frente e são bastante previsíveis. Já o escolhido, é o rei das frases de efeito e diz suas falas de maneira empolada, cheio de gestos, mas, não imprime nuances em sua interpretação.

O seriado é bem filmado e tem seus bons momentos visuais. A escolha de enquadramentos consegue traduzir bem o olhar da protagonista, Dra. Lúcia, e a câmera escolhe bem o que mostrar durante as cenas onde o espectador entende aquele universo da mesma maneira que a médica. Talvez se a série focasse menos em diálogos e mostrasse mais momentos de percepção do fanatismo sem muitas explicações, deixando espaço para o público elucubrar, teríamos uma obra de mais qualidade. O fim da temporada deixa um cliffhanger interessante, se houver mais episódios a expectativa é de uma melhora, até porque há verdadeiro potencial para se explorar.

 

Crítica: Terceira parte de La Casa de Papel é morna e um grande déjà vu

por Enoe Lopes Pontes

 

Depois de um hiato de quase dois anos, chega ao catálogo da Netflix a terceira parte de La Casa de Papel. Logo no início, é possível notar como o valor de produção cresceu. A percepção pôde ser confirmada pelo criador da série, Álex Pina (Vis a Vis), afirmou, em entrevista para o G1, que não havia limites de gastos por episódio. Assim, o espectador pode encontrar uma roupagem mais sofisticada imageticamente. Mais ângulos, mais locações, efeitos, quantidade de atores, figurantes e equipe técnica envolvida na obra etc.

Nesta parte, é inegável afirmar o avanço do seriado, em comparação com sua temporada anterior. Nos oitos novos episódios, com a maior fatia dirigida por Jésus Colmar (Vis a Vis), a câmera revela um clima de mais tensão e ação, com explosões intensas, revolta de uma multidão e perseguição de carro, que inclui capturas áreas da imagem. No entanto, apesar deste crescimento técnico, La Casa de Papel continua pecando em alguns mesmos aspectos vistos em 2017 e em questões outras.

 

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Primeiramente, existe um incomodo que são as repetições narrativas em relação ao assalto anterior. Situações  semelhantes são postas, apenas com mudanças de local e detalhes. A personagem Palermo (Rodrigo de la Serna), por exemplo, entra como um substituto de Berlín (Pedro Alonso), sendo o machista asqueroso e com textos que poderiam ter sido facilmente ditos pela personagem de Alonso. Este é apenas um caso de tantos outros que ocorrem. As cenas de cantoria, as discussões, os conflitos entre as figuras centrais da trama, tudo remete ao roubo da Casa da Moeda.

A sensação é de que os produtores queriam repetir seu sucesso e criar momentos memoráveis o tempo inteiro e isto faz com que o ritmo não se equilibre. As cenas de ação e os plots twists acabam tendo seus impactos reduzidos pela certeza dos próximos acontecimentos mostrados na tela, já que o público viu as mesmas estratégias, os mesmos problemas e resoluções anteriormente. Mas, existe o ponto alto deste fator e não siga para os próximo parágrafos se ainda não assistiu a terceira parte do enredo.

 

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Em um dado momento, nota-se que o Professor (Álvaro Morte) finalmente tem um ponto fraco e que ele é a sua namorada, Raquel Murillo/Lisboa (Itziar Ituño). Numa sequência que busca ser tensa, por seus cortes e música incidental, fica subentendido que a ex-inspetora Murillo foi executada. Quando o fato parece ter ocorrido, fica a reflexão de que o seriado parece tentar discutir a misoginia e trazer todo um discurso progressista, mas coloca a figura feminina mais forte da narrativa inteira para ser apenas o interesse amoroso do protagonista e eliminá-la seria o elemento que o deixaria mais forte e poderoso.

Como se não bastasse esta visão antiquada, fica-se sabido, minutos depois, que Lisboa não faleceu, está viva, no caminhão da polícia. Ou seja, além dela ser a isca para o homem que assume o comando de tudo, dela ter sido fraca e de pouca inteligência para escapar com suas escolhas, a obra não tem coragem de eliminar a personagem, tomando um caminho óbvio e sem graça, porque em todo o percurso que fez, jamais retirou personas mais importantes, sempre as deixando em grandes cliffhangers, para depois salvá-las.

 

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No final das contas, é perceptível que a discussão feminista é rasa, apenas de enfeite para demonstrar uma imagem positiva, mas que mantém o patriarcado incrustado completamente nos diálogos e ações, deixando as mulheres como mais fracas (Tóquio bêbada porque foi deixada por Rio; Nairóbi com um tiro porque seu instinto maternal foi mais forte do que ela e Raquel na prisão por estar apaixonada). Os rapazes ficam, assim, no comando de toda situação e retém todo poder. Não à toa, todos os episódios são comandados por diretores masculinos e os roteiristas são quase todos…? Homens.

No resultado geral, La Casa de Papel entrega um resultado mediano, nada além da já esperada estrutura feita para criar frases de efeito para internet, memes e posts que podem virar textão,  mas vazio por dentro. As personagens não ganham complexidades e a terceira parte é uma cópia das anteriores, criando tédio durante sua exibição.

 

Comédia em Série: Barry: E se Breaking Bad fosse engraçada?

Barry é uma série da HBO, lançada em 2018, com a sua terceira temporada confirmada para 2020. A produção acompanha Barry Berkman (Bill Hader), um ex-militar que foi à guerra do Afeganistão e, após voltar aos Estados Unidos, é recebido por um amigo de seu pai, Monroe Fuches (Stephen Root), um oportunista que acaba transformando o protagonista em um assassino de aluguel. Fuches é quem arranja as contratações dele, cuja única condição é que mate apenas pessoas ruins. (mais…)

Br em série: Guerras do Brasil.doc, revisionando nossa história, questionando nosso presente e pensando nosso futuro

Em tempos de governos que atacam os direitos humanos e, no Brasil, o fortalecimento do descrédito à educação, à filosofia, e à história, eis que surge um seriado documental, conciso, sobre momentos da história do país. No começo de junho, foi lançado na Netflix Guerras do Brasil.doc, do diretor Luiz Bolognesi (Ex- Pajé e Uma História de Amor e Fúria).

Distribuída originalmente pelo Canal Curta!,  traz versões sobre 5 conflitos da história do Brasil: “Guerras da Conquista”, que trata dos confrontos entre portugueses e outros colonizadores com os indígenas brasileiros;  “Guerras dos Palmares” sobre os conflitos com os escravos; “Guerra do Paraguai” desmistificando essa guerra que por muito tempo foi pouco questionada nas escolas e nos programas de comunicação; “Revolução de 30” sobre o período que o Getúlio Vargas esteve no poder; e finalmente o último episódio , “Universidade do Crime”, com tema atual, que fala sobre a criação das facções criminosas a partir das guerras e conflitos penitenciários (como por exemplo, o PCC e massacre de Carandiru).

O caminho é aparentemente cronológico, mas os episódios são independentes entre si e podem ser assistidos fora de ordem, de acordo com interesse pelo tema. Todos tensionam esses pontos históricos, trazendo questionamentos  para a história oficial e a situação atual, como por exemplo a questão das terras indígenas e conflitos de terra, que a toda hora (e mais ainda no atual governo) são debatidas.

 

 

O documentário é construído sem narração (sem a “voz de deus”*), segue através de depoimentos de historiadores, ativistas, professores e pesquisadores, aliados ao uso de intertítulos com dados, que compõem um painel sobre cada uma dessas guerras, possibilitando refletir sobre suas raízes e consequências até os dias atuais e pensar para onde estamos seguindo.

Todos trazem observações instigantes, uso expressivo de imagens com sons e músicas e imagens de arquivo, deixando a narrativa menos engessada e dando luzes à reflexões para buscarmos entender como nós, ditos Brasileiros, chegamos até aqui do jeito que somos, quebrando os velhos estereótipos e revisionando certos elementos da história que nos é ensinada.

Para estudar a história de um país, deveria-se atravessar todos seus momentos, incluindo suas páginas mais sangrentas e lamentáveis – e o Brasil, infelizmente, é pleno de confrontos trágicos desde sua fundação até hoje. É essa parte da história brasileira que a série conta: os fatos, as versões, as revelações e curiosidades sobre os principais conflitos armados da história do Brasil.

 

Brasil de guerras, opressões e resistências

 

 

“Não tem paz em lugar nenhum. É guerra em todos os lugares e o tempo todo”, essa frase do historiador e filósofo indígena Ailton Krenak no primeiro episódio da série e que justifica a afirmação acima. Ele também alega que a “relação” dos europeus com os indígenas não foi pacífica, como hoje muitos ainda pensam, que praticamente exterminou povos e que esse conflito existe até então (e ele ainda acredita que não vai acabar tão cedo).

Durante os episódios vemos o questionamento e a negação de muitas famílias brasileiras, como por exemplo, o fato da “invenção” do Brasil (alguém ainda fala em descobrimento?) ter sido na verdade uma invasão, ou a ironia com o nome do aeroporto de Maceió ser Zumbi dos Palmares e lá ser um dos estados onde mais se matam jovens negros.

 

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No último episódio temos reflexões sobre o sistema prisional brasileiro, a ineficiência da guerra às drogas e a corrupção policial, temas que conversam com outra obra (lançada também na Netflix e no mesmo período), a minissérie americana Olhos que Condenam, da diretora Ava DuVernay. O Brasil tem a terceira maior  população carcerária do mundo. Em 2017, assistimos pelos jornais o massacre e rebeliões dos presos de Alcaçuz, um dos mais brutais e sangrentos episódios da história do sistema prisional. Dois anos depois, parece que nada mudou, mas as marcas seguem reverberando.

A história do que chamamos Brasil (pós-colonização) é uma sangrenta e contínua história de conflitos e violência, de opressão e resistência. Nada de indígenas preguiçosos e “africanos fáceis de serem escravizados”, o que a série faz é mostrar que o Brasil (ou os portugueses e europeus) não são pacíficos como normalmente se constrói. Esse “fio da meada” bate de frente com os “ideais” expostos hoje, como a campanha de armamento. Re-pensar essas questões pode ajudar a buscar construir um futuro mais justo, com menos confrontos, menos guerras.

 

Educacional e político

 

 

O Brasil tem tido boa repercussão de filmes documentários, muitos falam do nosso passado, nossa história, e muitos da nossa política recente, como o Caso do Homem Errado, de Camila de Moraes e o Democracia em Vertigem, de Petra Costa, poderia citar vários outros títulos. Porém, no ramo das narrativas seriadas ainda não  há um mercado tão consolidado.

Guerras do Brasil.doc não inova em sua narrativa ou estética, não problematiza tão fortemente suas questões como outras obras, e tem um tom meio didático e educacional, então, para muitos não deve acrescentar muita coisa. Porém, mantém um posicionamento firme.

Por exemplo, na fala do historiador Marcelo D’Salete, que afirma que “devemos tratar os  territórios (quilombolas e comunidades indígenas) com dignidade e respeito, proporcionando direitos que eles precisam para continuar existindo”. Ou quando coloca uma jovem mulher negra ativista para recitar sua poesia/ rap sobre a situação do população negra no final do segundo episódio.

 

 

 

No fim, a série se faz informativa, educativa e dinâmica. Em tempos de algoritmos que nos sufocam de produções pouco memoráveis, se permitir dar play em obras como essas é, além de um respiro, relevante.

Guerras do Brasil.doc ressaltam, cada uma à sua maneira, a importância da memória e da compreensão de estruturas sociais e arranjos de poder para enxergarmos e entendermos os conflitos da contemporaneidade tal como eles são.

*“voz de Deus” como é comumente chamada o narrador ou locutor que não é visto em cena e também não é personagem

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