Vivenciar o jazz e curtir a saideira na capital baiana: saiba mais sobre projetos que se comunicam com a cidade

Originado entre 1890 e 1910, no sul dos Estados Unidos, o jazz, que tem suas raízes na música negra americana, não apenas se expandiu como produziu uma variedade de subgêneros. Do ritmo ritualístico de onde herdou as batidas até as bandas americanas do séc. XX, ou posteriormente, às “jazz-bands” de corneta, clarinete, trombone, banjo, contrabaixo, bateria e piano, espalhadas pelo mundo e recém-chegadas ao Brasil, entre os anos 1920 e 1930, a manifestação artístico-musical percorreu longas distâncias.

Na capital negra da América Latina, o improviso se misturou ao repertório e a maneira única de dançar os ritmos não-lineares espelhou uma formação autêntica, apesar das influências estrangeiras. O “jazz baiano”, que tirava de fora a substância para trazer de dentro a música instrumental com a identidade da percussão brasileira, ganhou espaço e, quando emergiu provocando encontros, confluências, sessões experimentais, a forma não era apenas música, mas uma impressionante corrente de estilos e possibilidades.

Foi pensando em mesclar um pouco da história com a identidade cultural baiana e o improviso do jazz que o programa da última semana reuniu, nos estúdios da TV Aratu, o diretor artístico da JAM no MAM, Ivan Huol, Charles Pereira, do icônico ponto de encontro “Berro D´Água”, Naymare Azevedo, do Mercadão CC, e o músico Paulinho Andrade.

Foto: Divulgação/Dicas da Saideira

No programa, eles falaram um pouco sobre o cenário instrumental baiano, sobre os desafios de manter vivos projetos da música instrumental, em Salvador, e sobre os espaços democráticos de cultura que abarcam iniciativas e fomentam o encontro através da música.

Com 42 anos de carreira, Paulinho Andrade lembrou que “a questão da música instrumental passa por uma característica que é o fato de não dizer diretamente, como a música cantada”, e Ivan Huol ressaltou a importância dos projetos que se comunicam com a cidade. “Tocar é fundamental. O jazz brotou dos lugares menos prováveis”, afirmou, durante o programa, o baterista.

Ivan Huol é membro do grupo fundador do projeto que, na década de 90, iniciou “jazz sessions” em frente à igreja do Solar do Unhão. A iniciativa, que seguiu até 2001 e foi retomada, anos depois, com apelido antigo e nova configuração, de frente para o mar, nas tardes de Salvador, faz parte de um importante movimento da música instrumental baiana; a “JAM no MAM” não é apenas espaço de encontro e compartilhamento, é também referência, marco fixo na agenda cultural da cidade.

Fotos: Lígia Rizério/via @jamnomam

Quer saber mais sobre a JAM, sobre o jazz, sobre espaços criativos como o Mercadão, emblemáticos, como o Berro D´Água e, “de quebra”, ainda escutar um som massa, regado à bate-papo descontraído na mesa de bar? Então fique ligado no Dicas da Saideira! O programa é quinzenal e o próximo encontro é em plena sexta-feira 13. Até lá, você pode assistir à última edição completa do programa através do link: https://www.facebook.com/aratuon/videos/833377737056853/.

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