O Líder: sessentão que comanda o 2 de Julho

Quem vai ao “O Líder”, boteco sessentão instalado no coração do largo Dois de Julho, nunca chega desavisado. Já pelas bandas do Largo – mas antes mesmo de entrar no local – é possível perceber a movimentação vadia na calçada do coroa. Nas velhas mesas do bar, a conversa fiada, num ritmo preguiçoso, denuncia o típico comportamento de quem não tem hora para ir embora.

Conhecido como ponto de encontro da galera de meia idade, intelectuais e artistas, o lugar ganhou fama por ter bom atendimento, oferecer no cardápio – desde o início dos tempos – o sanduíche de pernil, manter a cerveja estupidamente gelada e jamais recusar cliente. Nenhum bebum poderia negar tamanho apreço por sua categoria.

E não bastasse a extensa lista que só reforça a sua boa reputação, pode-se destacar, ainda, outro ponto que, sem dúvidas, é tido como um dos mais valiosos pelos amantes botequeiros: por lá, nunca nos convidam para nos retirar. Isso sim é viver um momento de céu na vida terrena, diga se não? Essa certeza de que o bar estará aberto até altas horas da madruga (exceto aos domingos), por si só, já é um bom motivo para voltar e voltar e voltar e voltar…

São mais de 20 rótulos de cerveja que é pra ninguém ficar sem beber

Por mais absurdo que pareça -e o seja- é até possível que exista algum sujeito por essas quebradas da velha Salvador que nunca tenha visitado o ‘O Líder”, mas o que é totalmente inaceitável é encontrar algum amante de bar que nunca tenha ouvido uma de suas histórias. Pois, meu caro botequeiro, fique você sabendo que, na região do Largo do Dois de Julho, “O Líder” não é só líder. Ele é o rei do pedaço.

MEU ESCRITÓRIO É NO BAR

A primeira vista – e sob um olhar despretensioso – Eduardo Garcia, 47, pode até se passar por mais um cliente. De sorriso discreto e fala mansa, ele tem a cara de um daqueles sujeitos que a gente jura já ter visto em algum lugar, mas pode ser mesmo é impressão! Numa leitura mais caceteira, os adeptos da objetividade diriam apenas: ele tem empatia!

E foi com ela, e a frequência de um cliente assíduo, que Eduardo conquistou a amizade do antigo dono do Bar, o Brito, e , há onze anos, recebeu a proposta de comprar o estabelecimento e comandar, dia a dia, um dos mais tradicionais bares de Salvador. E quem era o dono antes do Brito? Já faz tanto tempo que nem Eduardo conseguiu lembrar….

A época da proposta, Eduardo, um baiano vivendo em Maceió, administrava uma loja de colchões. Ele só voltou para Salvador quando passou de cliente a dono do bar. De família galega, ele diz que “sempre mexeu com comida”. Hoje, comanda a produção e criação na cozinha. Quando perguntado sobre qual o maior desafio à frente de um dos bares mais antigos da cidade, diz: “manter a qualidade, a tradição do lugar, inclusive com os mesmos fornecedores de sempre.

Por: Marcela Souza

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